Comissão de Ética não leu representação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Mariana Haubert<br>Folhapress 
Brasília - O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), criticou na tarde de ontem a decisão da Comissão de Ética Pública da Presidência de arquivar um pedido de investigação contra a presidente Dilma Rousseff por causa de uma escala feita em Lisboa, Portugal, no fim de semana. Na avaliação de Sampaio, a comissão não leu a representação do partido. Para ele, a decisão do presidente do colegiado, Américo Lacombe, de arquivar a investigação foi "lastimável". Em nota, o deputado afirmou que pediu à comissão que avaliasse o caso e sugerisse aprimoramentos para o Código de Conduta da Alta Administração Federal.
"Se tivesse lido a representação por inteiro, o presidente da Comissão saberia que eu não pedi para o Conselho julgar a Dilma, como ele disse. (...) É uma pena que, a pretexto de alegrar aquela que o indicou, o presidente do Conselho de Ética da Presidência preste esse desserviço à nação", disse.
O PSDB ingressou anteontem com uma representação na comissão para analisar se a presidente infringiu o Código de Conduta da Alta Administração Federal por ter se hospedado em hotel de luxo sem compromissos oficiais e sem a divulgação da agenda oficial.
No início da tarde de ontem, Lacombe anunciou que o pedido foi arquivado porque a comissão não tem competência para investigar a Presidência da República.
"Nós não temos competência para julgar nem o presidente nem vice-presidente, só ministro de Estado pra baixo. Está na lá lei e não tem como (mudar). Quem fez o regulamento não foi o presidente Lula, foi o (ex-)presidente Fernando Henrique Cardoso. Se o deputado quiser, que vá se queixar com o líder do partido dele", disse Lacombe.
Sampaio rebateu as críticas e considerou a fala de Lacombe uma "provocação política". "Eu cumpro o meu papel de defender o dinheiro público, porque fui eleito por São Paulo para isso. Ele cumpre o papel dele de defender a presidente que o indicou para o cargo. É até compreensível, embora lastimável. Não pega bem para quem deveria agir como magistrado", disse.


