Para o presidente da Comissão de Ética da Câmara Municipal de Londrina, vereador Gérson Araújo (PSDB), o pedido de anulação do julgamento do vereador Rodrigo Gouvêa (sem partido) em plenário feito esta semana pelo Ministério Público (MP), à Justiça, dificilmente ensejará novo processo na Casa. Segundo o tucano, voto contrário ao relatório da Comissão Processante (CP) que livrou Gouvêa de processo de cassação, ''no momento em que a Câmara toma uma decisão (plenária), ela é soberana''.
Oficialmente, a Mesa Executiva só se manifestará sobre quais encaminhamentos dará ao caso, face à ação civil pública do MP, quando for notificada da medida. No cartório da 6 Vara Cível, a informação era que apenas ontem a ação havia sido distribuída para análise do juiz Abelar Pereira, de modo que a notificação às partes só poderia se feita em até 48 horas - ou seja, até amanhã. Além da Câmara, a ação cita ainda os vereadores Sandra Graça (PP) e Tito Valle (PMDB), respectivamente presidente e relator da CP. Eles foram denunciados por ato de improbidade porque, além de terem participado da investigação que apontou punição mais branda a Gouvêa, também respondem a ação por suposta contratação de assessor ''fantasma'' impetrada pelo MP.
Araújo comentou que, uma vez que a Casa seja notificada, há possibilidade de a Procuradoria Jurídica se manifestar contra a anulação do julgamento. ''Porque a Câmara é soberana; mas pode ser até que o juiz não aceite essa ação'', disse, para completar: ''De qualquer maneira, a análise de ato incompatível já começou na Comissão de Ética, tanto que o Rodrigo apresentou a defesa prévia e agora só não sabemos se o reconvocamos ou se nos baseamos em tudo que está pronto e propomos as punições dentro do que o Código de Ética prevê'', afirmou, referindo-se às penas que podem ir da censura verbal ou escrita à suspensão de mandato.

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