Comissão de Ética define relator hoje
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A Comissão de Ética da Câmara de Vereadores de Londrina escolhe em reunião marcada para hoje, às 10 horas, o relator do processo que investigará se os vereadores Henrique Barros (PMDB), Orlando Bonilha (PR), Flávio Vedoato (PSC), Osvaldo Bergamin (PMDB) e Renato Araújo (PP) quebraram o decoro parlamentar. A definição é a primeira medida prática do grupo após o encaminhamento de uma representação que pede a cassação de mandato dos cinco parlamentares acusados de formação de quadrilha e concussão. No mesmo procedimento, a comissão analisa uma segunda representação - mas que pede a punição apenas a Barros.
As duas representações, protocoladas no fim da semana passada, foram acatadas anteontem pela Mesa Executiva após passarem por análises técnica e jurídica. Uma vez na Comissão de Ética, os três membros que a compõem terão de indicar, ao final da apuração - que tem prazo máximo de 60 dias de conclusão, provavelmente em relatórios separados -, que tipo de infração cada vereador pode ter cometido, com a respectiva punição a ser aplicada: de censura verbal à perda do mandato.
Os cinco foram acusados pelo Ministério Público (MP) de se associarem em ''organização criminosa'' a fim de cobrar propina, de três empresários, pela aprovação e agilização de projetos de lei. A delação dos nomes foi feita por Barros, preso em flagrante no último dia 10, com R$ 9,9 mil. Os quatro denunciados negam os crimes.
O presidente da Comissão de Ética, Roberto Kanashiro (PSDB), afirmou ontem, após reunião para debater o regulamento do grupo, que a partir de hoje deverá ser definida também a apresentação das defesas de cada um dos investigados. ''Assim que definirmos a relatoria (entre ele, Luiz Carlos Tamarozzi, PTB, e Lourival Germano, PT), eles serão comunicados a se defender por escrito'', disse'', disse.
Ontem à tarde, o autor da primeira representação, o jornalista e produtor cultural Juarez Rezende Araújo, 47, anexou ao documento também fotocópia do depoimento de Barros prestado à Promotoria no dia da prisão em flagrante - e no qual o esquema fora delatado. Conforme Araújo, a motivação para representar teria vindo a partir de um comentário ouvido na Câmara, um dia depois da denúncia do MP.
''Ouvi dois funcionários tirando sarro, dizendo que R$ 9 mil não eram nada, que todo mundo tem medo de enfrentar 'os homens'. Se a gente vê que as coisas estão erradas e não faz nada, acaba sendo conivente com o erro'', declarou, para completar: ''E democracia pressupõe fiscalizar os representantes, não adianta só votar e esquecer que existem. Minha parte já fiz; o MP, também; espero que a Câmara faça a parte dela, ou cairá ainda mais em descrédito - e colherá os frutos na eleição de outubro''.
Autor da segunda representação, o microempresário Juney Arimatsu, 34, também cobrou um posicionamento do Legislativo. ''Que a Câmara nos sirva de exemplo: se ainda há pessoas sérias lá dentro, confio que elas punirão exemplarmente quem tiver de punir'', concluiu.


