O corregedor da Câmara de Londrina, Rony Alves (PTB), apresentou à Comissão de Ética da Casa, representação contra o vereador Rodrigo Gouvêa (PRP), por suposta obstrução da votação do Projeto ''Minha Casa, Minha Vida'', em junho do ano passado. Na ocasião, o vereador teria ligado diretamente ao celular do vereador Ivo de Bassi para que ele se retirasse do plenário para não votar o projeto.

Segundo Rony, a representação, encaminhada no dia 23, tem por base um ato atentatório ao decoro parlamentar. ''Neste caso, ele não pode ser cassado; somente o ato compatível prevê essa punição. Se for condenado, ele pode sofrer uma série de punições, que podemos chamar de ''administrativas''. ''Vai desde uma suspensão de direito de fala nas sessões a apresentação de projetos, por exemplo''.

O corregedor diz que o Código de Ética preconiza que o vereador deve estar presente nas sessões da Câmara. ''Nada justifica o vereador não votar, pois temos a possibilidade de votar contra, a favor, ou ainda abster-se. O erro de Gouvêa foi tentar esvaziar o plenário tirando um de seus pares, no caso o Ivo de Bassi. A secretária do vereador Ivo de Bassi confirma, o vereador Ivo confirma e até mesmo o próprio Gouvêa reconhece que tentou fazer isso.''

O vereador Ivo de Bassi também confirmou à FOLHA que Gouvêa ligou em seu celular no dia da votação. ''Rodrigo Gouvêa, que não estava na sessão, pediu por telefone que eu me retirasse do plenário para não votar no projeto. Minha secretária atendeu algumas vezes e depois, eu mesmo atendi dizendo que não iria sair. Na semana seguinte o promotoria me intimou e confirmei tudo isso'', contou o vereador. Rodrigo Gouvêa não quis falar com a imprensa.

Já sobre o suposto pedido de propina ao engenheiro Maurício Costa, Rony revela que a Corregedoria desconsiderou a representação. ''Num primeiro momento, o engenheiro foi ao Ministério Público e fez a denúncia. Entretanto, depois em depoimento retirou tudo o que disse. Ele nunca apresentou prova alguma do suposto pedido de propina, seja para a Câmara, mídia, corregedoria ou qualquer um que seja. Se o empresário não sustentou o que disse, eu é que não vou fazer caça às bruxas com acusações levianas.''

Já em posse da representação, a Comissão de Ética iria se reunir no final da tarde de ontem para dar início a instalação do processo. De acordo com o presidente da Comissão, Gérson de Araújo, o grupo deve nomear um relator e já encaminhar correspondência à Gouvêa para apresentar defesa prévia.

''Ele tem dez dias para apresentar defesa por escrito. Posteriormente, iremos dar continuidade às diligências e analisar a necessidade de convocar outras testemunhas e até o mesmo o depoimento verbal do vereador.'' A comissão tem o prazo de 60 dias para concluir o processo.

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