Brasília- Em sessão especial realizada no Ministério da Justiça, a Comissão da Anistia homenageou ontem, Dia Internacional da Mulher, 15 mulheres que entraram com recurso requerendo indenização e declaração de anistia política. Elas foram presas durante a ditadura militar (1964-1985) e pediram reparação do Estado pelas perseguições que alegam ter sofrido por terem participado de movimentos contra o regime dos anos 60 e 70.
Algumas dessas mulheres afirmam que foram perseguidas só por serem parentes de militantes de grupos ou facções que lutavam por contra o regime militar. Na sessão de ontem, a comissão foi presidida pela advogada Sueli Belatto, vice-presidente do colegiado, e tinha um júri composto apenas por mulheres.
''Os traumas sofridos especialmente pelas mulheres na época ficaram gravados na memória'', disse a advogada. ''Por isso, é importante e oportuna a reparação no Dia Internacional da Mulher'', ressaltou. ''Elas não imaginavam que iam ter essa oportunidade.''
Ela afirmou que a Comissão da Anistia rejeita a menção da palavra ''subversiva'', que consta em documentos requeridos à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), oriundos do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI). ''Não é subversão lutar pela democracia'', esclareceu a advogada, destacando o sofrimento das mulheres durante a ditadura. ''Ora era a esposa que via o marido sair preso e ficava sozinha cuidando dos filhos, sem ter como prover o sustento; ora era a mãe que passava pela angústia de não saber o paradeiro dos filhos ou do marido.''
Sueli lembrou que muitas das mulheres que foram presas na época dos chamados anos de chumbo sofreram assédio e até estupro na prisão. ''E há muito ainda a ser contado sobre o que aconteceu''.
De manhã, a Comissão da Anistia julgou quatro requerimentos. Um deles foi o de Celeste Fon. Presa e torturada na época da ditadura, Celeste teve a situação agravada pelo fato de também terem sido alvo da repressão seu pai e um irmão. Ela trabalhava no Banespa e alega ter sofrido prejuízos de ordem funcional.

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