Paulo San Martin
Especial para a Folha
Dezenas de nomes e mais de uma centena de denúncias que colocam o Paraná na rota do narcotráfico e do crime organizado no Brasil começarão a ser investigados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico a partir do próximo dia 10 de janeiro. O deputado padre Roque (PT-PR) informou ontem que várias linhas de investigação no Paraná estão praticamente definidas dentro da CPI.
Padre Roque e o deputado Moroni Torgan (PFL-CE) já entregaram para deputados integrantes da Comissão Especial de Investigação (CEI) da Assembléia Legislativa do Paraná, uma lista com quase duas dezenas de nomes de supostos envolvidos com o crime organizado no estado.
‘‘Há indícios fortes de envolvimento, mas só pensaremos em convocar esta gente denunciada depois que tivermos confirmações do envolvimento com o crime organizado além de provas’’, afirma Torgan. A Comissão Especial de Inquérito (CEI), criada pelos deputados estaduais para dar apoio aos trabalhos da CPI no Paraná, começou esta semana a investigar os nomes.
A assessoria do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) informou ontem que, através do disque-denúncia e de informantes, a CPI recebeu um volume muito grande de informações que colocam o Paraná na rota do crime organizado no País.
‘‘O envolvimento do Estado nas operações de lavagem de dinheiro é amplamente conhecido. Agora as investigações apontam para envolvimentos mais graves que atingem algumas estruturas de poder’’, garante padre Roque.
De acordo com o parlamentar, estas investigações, ainda preliminares, já demonstraram indícios claros da ligação do crime organizado no Paraná com o de outras regiões do País, principalmente o interior do Estado de São Paulo.
‘‘A passagem da CPI por Campinas revelou linhas claras de ligação do crime organizado em nosso Estado’’, afirmou. Para o deputado Torgan, a Comissão Parlamentar só não definiu a data exata de sua vinda ao Paraná devido ao excesso de trabalho das últimas semanas. ‘‘Fomos obrigados a priorizar São Paulo, diante da gravidade das denúncias’’, diz.
Na próxima semana, a CPI se dividirá em dois grupos, para atuar simultaneamente em Alagoas e no Piauí. Depois, o Congresso entra em recesso e os trabalhos só serão retomados a partir de 10 de janeiro. ‘‘Pretendemos marcar imediatamente após esta data a nossa vinda para o Paranᒒ, garantiu padre Roque.

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