Na incursão pelo interior do Estado, a Comissão Estadual da Verdade do Paraná passa em Londrina na próxima semana para ouvir relatos de pessoas que sofreram violações de direitos humanos no período da ditadura militar. Serão duas audiências públicas abertas para quem quiser acompanhar, na Câmara de Vereadores, na próxima quarta-feira, das 9 horas às 18 horas, e no auditório do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no dia seguinte, das 9 horas até 21 horas.
De acordo com os organizadores, a proposta é obter os relatos de pessoas que foram perseguidas e torturadas em Londrina, que serão escritos e encaminhados para a Comissão Nacional da Verdade. "Nosso objetivo é divulgar as ações daquela época e lembrar os males da ditadura para que a história não se repita", diz o coordenador da Comissão dos Direitos Humanos da subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil e membro da Comissão Estadual da Verdade Paulo Magno.
A Comissão Nacional da Verdade foi instituída em 2011 e oficialmente instalada em 16 de maio do ano seguinte com o objetivo de investigar as violações de direitos humanos desde o início da ditadura militar até a promulgação da Constituição Federal, em 5 de outubro de 1988. Para produzir a documentação, são ouvidos testemunhas, vítimas e militares.
Em Londrina, já estão confirmadas a presença, na Câmara, de quatro convidados: Délio César, Roberto Morita, Oscar Nascimento e Geraldo Fausto dos Santos, o Ceará. A vereadora Elza Correia (PMDB) também deve ser ouvida, já que sua família foi perseguida pelos militares durante sua infância e adolescência.
A parlamentar já relatou em plenário, na ocasião dos 50 anos do golpe militar, o que sofreu com a família. Recordou, em prantos, da necessidade de mudar de casa na calada da noite, trocar de escolas sucessivamente e a pecha de "comunista" que carregava.
O membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Londrina Mário Barbosa diz que há preocupação em se documentar os horrores da ditadura porque começa a haver uma sensação nas novas gerações de que o país funcionava melhor. "Ouvi isso de um manobrista dia desses. Parei quinze minutos para contar como era", conta.

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