Comissão da Verdade ouve 7 depoimentos em Londrina
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quarta-feira, 06 de agosto de 2014
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
Os depoimentos de vítimas e testemunhas ontem na audiência da Comissão Estadual da Verdade do Estado do Paraná mostram que as consequências da repressão exercida pelo governo durante a ditadura militar atingia não apenas quem era contrário os governantes, mas também pessoas alheias à movimentação ou ideologias políticas da época.
A Comissão da Verdade colheu ontem o depoimento de sete pessoas na Câmara de Londrina, na primeira audiência aberta realizada na cidade. Os depoimentos seguem hoje, durante todo o dia, no auditório do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA) da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Ontem, os médicos Julio Higashi e Mario Seki, por exemplo, na condição de testemunhas, quiseram registrar a demissão sumária do ex-professor Tsutomu Higashi, por ordem direta vinda do governo estadual. O ex-docente do Departamento de Patologia Aplicada da UEL é tio de Julio e lecionava para ambos, que também o ajudavam na elaboração da tese de doutorado.
Julio e Seki afirmam que a justificativa da demissão, sem direito a defesa, jamais foi explicada. "Nunca vi um movimento político dentro de casa, nunca vi ele participar de um partido político. A única coisa que ele fez sempre foi estimular o lado científico", recorda o sobrinho.
Quem também sentiu os reflexos na pele foi a família da empresária Marília Polis, proprietária da extinta Rede Estadual de Táxi Aéreo (RETA). A empresa, estabelecida no aeroporto de Londrina, nos anos 1950, tinha, na época do golpe militar, 16 aeronaves para locação. O primeiro contato, contou ela, foi dois dias após o golpe militar. "Eles pediram quatro ou cinco aeronaves para procurar os ditos comunistas", recorda. Três ou quatro dias depois, devolveram os aviões desabastecidos, mas em boas condições.
No ano seguinte, os proprietários receberam a visita de uma comitiva "de milicos", que propôs ficar com metade da empresa, em troca do monopólio das linhas de alimentação a aeródromos maiores. Marília não deixou claro se seria estatizado ou um negócio particular.
Após a rejeição, próximo do Natal daquele ano, o governo federal cassou o funcionamento da Reta e o brevê do marido e sócio dele. Foram 44 dias indo a São Paulo e conversando com brigadeiros até reverter parcialmente a situação, já que os brevês não foram revalidados. O processo de cassação, que provocou a venda de imóveis e aeronaves, jamais foi acessado pelos envolvidos.
Além deles, também depuseram ontem pessoas perseguidas por suas ideologias políticas, como a vereadora Elza Correia (PMDB), filha do ex-vereador, militante comunista e ex-preso político Manoel Jacinto Correia; o advogado Oscar Nascimento; o sindicalista Geraldo Fausto dos Santos; o empresário e ex-preso político Amadeu Felipe e o advogado Roberto Morita.


