Comissão da Unicamp coloca em xeque sistema de votação
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de abril de 2001
Agência Folha De Campinas 
O sistema de votação eletrônica no Senado Federal é vulnerável à violação e adulteração de votos. A conclusão é da comissão da Unicamp que analisou se houve violação da votação secreta do dia 28 de junho de 2000 que cassou o senador Luiz Estevão. Sobre a votação do dia 28, o relatório da Unicamp aponta que há vários indícios de que houve violação.
Não encontramos, no entanto, nenhum indício de que houve realmente a alteração de votos, mas há registros de que houve manipulação da lista, afirmou o coordenador da comissão, professor Alvaro Penteado Crósta. Segundo ele, o sistema de votação no Senado tem falhas que se não forem corrigidas podem prejudicar todas as votações pois oferece brechas para a manipulação.
Existem pontos como a permanência de arquivos temporários que registram a qualidade de votos (como votou cada senador) que pode ser acessado por qualquer pessoa, observou o professor. Além disso, qualquer pessoa que possua a senha do operador do sistema pode alterar qualquer dado das votações. O Senado tem que estabelecer privilégios de acesso aos arquivos, completou Crósta. A comissão identificou 18 pontos de violabilidade do sistema.
A comissão não sabe determinar o nível e que técnica da pessoa que violou a votação que cassou Luiz Estevão. Para os professores, a pessoa que alterou os arquivos preferiu arrombar a janela, deixando vestígios, ao invés de entrar pela porta aberta, observou Crósta. Pelas análises, apesar da alteração no sistema, os rastros derivados da ação não foram apagados de forma eficiente.


