A Comissão de Sindicância da Universidade Estadual de Londrina (UEL) suspendeu a conclusão do relatório sobre as denúncias contra o chefe de gabinete do reitor Jackson Proença Testa, Itaicy Mendonça. Ele é acusado de ter se beneficiado com recursos de um contrato publicitário entre a instituição e a Rádio Nova Ingá, do ex-deputado federal Benedito Pinga-Fogo de Oliveira, de Maringá. O trabalho ficará suspenso até que a comissão receba extratos bancários e a cópia do cheque emitido pelo apresentador de TV Márcio Mello em favor de Itaicy.
Segundo o apresentador, o cheque teria voltado duas vezes por falta de fundos e depois foi trocado por dinheiro. Mello foi quem fez a denúncia contra o chefe de gabinete, há cerca de duas semanas.
A decisão de suspender os trabalhos foi anunciada pelos membros da comissão de sindicância ontem de manhã ao Conselho Universitário (C.U) da UEL e divulgada à tarde pelo reitor. ‘‘O relatório está concluso, mas para se chegar a uma apuração final se faz necessária essa prova material’’, justificou o presidente da comissão, o auditor da universidade, Anisio Ribas Neto.
Ele acredita que em dez dias os documentos estarão em poder da comissão. ‘‘Necessariamente não precisa ser um cheque, basta qualquer documento bancário que permita à comissão concluir seus trabalhos’’, completou.
O documento suspendendo o prazo para a conclusão dos trabalhos foi assinado anteontem à noite, quando também foi tomado o depoimento de Pinga-Fogo. Testa garantiu que o valor do cheque não será levado em questão. ‘‘A comissão fica em ‘stand by’ até a vinda desse documento, que é a prova maior, fundamental desta denúncia’’, afirmou.
O reitor admitiu ontem que seu chefe de gabinete já possui uma condenação transitada em julgado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) porque teria se apropriado indevidamente de recursos da Sociedade Evangélica de Londrina. Mas afirmou que esse fato não interfere nos trabalhos e lembrou que Itaicy já está afastado.
Sobre os R$ 2,4 milhões gastos em publicidade e divulgação nos últimos quatro anos, o reitor afirmou que não se trata apenas propaganda, mas gastos diversos como editais ou anúncios institucionais. ‘‘Estamos desmembrando os documentos e posteriormente informaremos’’, alegou.
Questionado sobre o fato de Itaicy ter admitido, na semana passada, que encaminhava a negociação de publicidade da UEL a veículos de comunicação, o reitor disse desconhecer a distribuição da propaganda da instituição. Ele disse ainda que seria normal o chefe de gabinete ser procurado por diretores de veículos de comunicação da cidade.
Ontem de manhã, o presidente do Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol), Cesar Caggiano dos Santos, pediu a extinção da comissão de sindicância. ‘‘Para mim, todo levantamento está incompleto’’, comentou. Ele também propôs que fosse instaurado um procedimento administrativo para investigar profundamente as denúncias. Na avaliação de Testa, futuramente, o reitor poderia ser responsabilizado pela extinção dos trabalhos.

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