Comissão da UEL apresenta relatório
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de junho de 2001
Cristiane Oya De Londrina 
A Comissão Permanente de Investigação do Conselho Universitário da Universidade Estadual de Londrina (UEL) já tem o nome da pessoa que teria ordenado e quem teria executado a reformatação do computador usado pelo chefe de gabinete do reitor Jackson Proença Testa, Itaicy Mendonça. Afastado do cargo desde o dia 24 de maio, Itaicy é acusado de receber propina de contratos de publicidade superfaturados na universidade. A informação sobre a formatação consta do relatório parcial da comissão, apresentado ontem na reunião do conselho. O relatório final não tem data para ser divulgado.
Não há contradição nos depoimentos que nós tomamos, mais os realizados no Ministério Público (MP). Então se conclui que houve a reformatação. Sabemos quem fez e quem estava na sala quando houve a reformatação, afirmou o presidente da comissão, César Caggiano dos Santos. A pedido dos próprios depoentes, os nomes das pessoas que deram as informações e os nomes citados serão mantidos em sigilo.
Segundo Caggiano, as informações dão conta que a reformatação teria sido feita no dia em que Itaicy teria retirado seus documentos da sala que ocupava. Na mesma semana, ladrões arrombaram o prédio da reitoria e furtaram três computadores, entre eles o que era usado por Itaicy.
O reitor em exercício, vice-reitor Mauro Ticianelli, que presidiu a reunião, não escondeu o descontentamento com o relatório. Eu queria que a comissão falasse quem disse, quem foi, porque eu não assisti, não presenciei (a reformatação), afirmou. A denúncia já foi feita pelo Marcio (Almeida ex-vice reitor da UEL). Eu não vejo nenhum fato novo, apenas a comissão teria chegado a quem fez, quem estava.
Segundo nota distribuída ontem, o reitor não presidiu a reunião para permitir que o conselho ficasse à vontade para definir as formas de realizar uma auditoria na UEL.
Os membros do conselho também aprovaram o intercâmbio de informações entre a comissão, MP e Polícia Civil, que investigam o caso. Também foi liberada uma verba de R$ 5,6 mil para o pagamento de representantes das empresas de assessoria contábil (Arrojo e Drigo) e jurídica (Triade, todas de São Paulo) que deverão vir a Londrina hoje.
De acordo com o membro da comissão Kennedy Piau, eles irão tomar conhecimento da dimensão das denúncias para fazer um orçamento. É de praxe que quando você está em um trabalho de investigação, contrate-se alguém que não tenha nenhuma relação, nem profissional, nem financeira, nem afetiva, com o objeto da investigação.
A comissão sugeriu que as assessorias sejam pagas com recursos angariados na comunidade porque a licitação poderia causar atraso aos trabalhos. Isso deverá ser analisado na reunião do conselho, na quinta-feira, mas recebeu críticas de Ticianelli. A campanha pública é extremamente deprimente. Não estamos falidos e não dependemos de esmola, disse.
Caggiano salientou que a comissão ainda não discutiu a possibilidade de pedir o afastamento de Testa. Não estamos nesse momento para discutir essa questão, mas se ela for oportuna, nós a discutiremos. E se for o caso poderemos pedir ou não o afastamento do reitor da universidade. A Folha procurou Itaicy Mendonça por telefone, ontem, mas ele não retornou a ligação.


