Comissão da Câmara transforma vistoria em ato a favor de Lula
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de maio de 2018
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - Os oito deputados federais da Comissão Externa da Câmara que visitaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na manhã dessa terça-feira (29) saíram da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, sem novidades sobre as condições em que o petista se encontra. Com a justificativa de fiscalizar a cela improvisada e demais instalações utilizadas por Lula desde 7 de abril, eles permaneceram por duas horas e meia no local. A inspeção foi autorizada previamente pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), mais de um mês depois de o grupo ter sido barrado a pedido da juíza Carolina Moura Lebbos, da 12ª Vara Federal do Paraná.
Na saída do prédio, os parlamentares adotaram tom exclusivamente político. Ao invés de uma anunciada coletiva, discursaram, um a um, para a live transmitida ao vivo no Facebook de Lula, posaram para fotos oficiais de punhos cerrados e não responderam a questionamentos de jornalistas. Nas falas, repetiram que a prisão do ex-presidente, condenado a 12 anos e um mês de reclusão no caso do triplex no Guarujá (SP), é política, que ele continua lendo o livro atual é "A Poeira e a Estrada", de Maciel Melo -, pratica exercícios físicos, será candidato à Presidência da República em outubro e que vem acompanhando as manifestações a seu favor no Brasil e no mundo.
Quando os deputados terminaram de falar, ainda dentro do cordão de isolamento, partiram em direção aos manifestantes da vigília, que fica a poucos metros da PF. O coordenador da Comissão, Paulo Pimenta (PT-RS), conversou rapidamente com a FOLHA, mas apenas durante o curto trajeto. Houve tempo para uma pergunta. A resposta, porém, foi logo abafada pelos gritos de "Lula Livre" vindos da militância, que acabaram por encerrar a entrevista. "O presidente repete sempre que, quando acorda, a primeira coisa que faz é pensar por que está aqui. Nunca cometeu nenhum crime, não existe nenhuma prova contra ele, e isso faz com que ele seja tomado de um sentimento de indignação", disse Pimenta.
Greve
De acordo com o parlamentar, que também esteve na PF na quinta-feira passada, na condição de amigo de Lula, é perceptível a preocupação do petista quanto à crise. Sobre a greve dos caminhoneiros, entretanto, o ex-presidente teria falado somente "de maneira genérica". "Um País que é autossuficiente em petróleo, com a maior descoberta de petróleo no século XXI, que é o pré-sal, mergulhado numa crise como essa de desabastecimento, faltando combustível em aeroportos, oxigênio e remédio8 em hospitais, é absolutamente inaceitável", opinou. "O presidente sabe que tem condições de cuidar do povo brasileiro e é o que pretende fazer, retornando à Presidência", completou.
Além do coordenador, faziam parte da comitiva Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Orlando Silva (PCdoB-SP), Silvio Costa (Avante-PE), José Mentor (PT-SP), Benedita da Silva (PT-RJ), Weverton Rocha (PDT-MA) e Odorico Monteiro (PSB-CE). O grupo foi criado em 18 de abril, mediante autorização do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), logo após a negativa de Carolina Lebbos. A comissão entende que fiscalizar presídios e quaisquer outros estabelecimentos do poder público é uma prerrogativa constitucional dos deputados. Segundo informações da Agência Câmara, as viagens são bancadas pelos próprios parlamentares, sem custo adicional ao Legislativo.


