A Sercomtel deve fechar o ano de 2014 com equilíbrio financeiro, depois de 15 anos de depreciação da empresa. A informação é do relatório da Comissão Especial de Acompanhamento da Sercomtel, da Câmara de Londrina. O documento culpa ainda más gestões e falta de investimentos como os responsáveis pela situação da telefônica londrinense.
O relatório foi entregue ontem à tarde para a Mesa Executiva da Câmara de Vereadores e será encaminhado tanto para a Sercomtel como para o prefeito Alexandre Kireeff (PSD). A análise foi feita com apoio da Controladoria do Legislativo.
De acordo com o relatório, a depreciação foi provocada pela má gestão da companhia que não investiu na infraestrutura, utilizou indevidamente patrocínios com atividades sem relação com a telefônica, má administração do ponto de vista mercadológico e o crescimento da concorrência com a chegada de outras empresas do ramo.
Quatro anos depois, em janeiro do ano passado, o saldo era inferior a R$ 5 milhões e chegou a um prejuízo operacional de aproximadamente R$ 13,5 milhões.
Ante a situação a Sercomtel sofreu ameaça de intervenção da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que acabou não se concretizando devido a um aporte de R$ 15 milhões – a prefeitura repassou à companhia dois terrenos no valor de R$ 8 milhões e a Companhia Paranaense de Eletricidade (Copel) investiu mais R$ 7 milhões em dinheiro.
Na análise contábil, a comissão verificou deficit de R$ 60,5 milhões, oriundos, principalmente, de gastos com demissões, Plano de Demissão Voluntária (PDV), multas e juros de parcelamentos de impostos e absorção de prejuízos com operadoras de tevê a cabo, no total de R$ R$ 44,1 milhões. Outros R$ 16,4 milhões vieram de prejuízo operacional.
Porém, para 2014, sem gastos com PDV e as falências e novo aporte, já previsto anteriormente, a comissão acredita que, caso não haja lucro, a Sercomtel conseguirá fechar o ano sem gastar mais do que entrou. Também cooperam para essa visão a nova formatação para a Internet by Sercomtel, a reestruturação do serviço de call center ASK e a redução do quadro funcional em até 30%.
Para a relatora da comissão, vereadora Elza Correia (PMDB), a situação da Sercomtel ficou crítica porque a empresa era vista como a "galinha dos ovos de ouro". Ela recorda que recursos eram retirados para suprir gastos que não eram da companhia, os gastos com patrocínios não tinham controle e sequer houve prestação de contas dos US$ 186 milhões da compra de 45% das ações. "A sangria foi enorme", avalia.

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