A oposição conseguiu emplacar o presidente da Comissão Parlamentar Especial da Assembléia Legislativa, criada para acompanhar as investigações do Ministério Público (MP) em torno dos desvios na Prefeitura de Maringá. O líder do PT, Hermes Fonseca, foi eleito para presidir os trabalhos. Com isso, o bloco, que reúne 14 deputados, acredita que vai conseguir investigar o assunto, não se limitando a acompanhar as apurações do MP.
Apesar da conquista do comando da comissão, a base de sustentação do Palácio Iguaçu tem a maioria – garantindo forte influência nos rumos das investigações: dos sete integrantes, quatro são aliados. Ademar Traiano (PTB) ficou com a vice-presidência e Nelson Turek (PFL), contador por profissão, na relatoria.
Fonseca disse que membros da comissão devem ir a Maringá na próxima segunda-feira, para visitar a Justiça Federal, Ministério Público, Câmara de Vereadores e Prefeitura. ‘‘Vamos conversar com os encarregados das investigações e nos inteirar do assunto’’, explicou o deputado. Ele garantiu que a Assembléia vai investigar. ‘‘Senão eu abdico’’, prometeu Fonseca.
O prefeito de Maringá, José Cláudio Pereira Neto (PT), esteve ontem na Assembléia para conversar com os deputados de sua região e adiantou que vai receber a comissão e colaborar. ‘‘Somos transparentes’’. A comissão foi criada na semana passada graças a um acordo entre oposição e situação, depois que o ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, afirmou em depoimento à Justiça Federal, no dia 23 de fevereiro, que as campanhas do governador Jaime Lerner (PFL) e do senador Alvaro Dias (PSDB) receberam recursos da Prefeitura de Maringá. Paolicchi também apontou que Serafina Carrilho (PL) e Ricardo Maia (PSB) teriam se beneficiado do esquema do desvio de recursos. Também compõem o grupo Geraldo Cartário (PSL), Duílio Genari (PPB), Nereu Moura (PMDB) e José Maria Ferreira (PSDB), único tucano na oposição.
Paolicchi está preso em Maringá, acusado pelo desvio de recursos da Prefeitura. O Tribunal de Contas do Estado (TC) já comprovou rombo de R$ 54 milhões, que podem chegar a R$ 100 milhões. O governador e o senador tucano sustentam que as declarações de Paolicchi são inverídicas.

mockup