Comissão convoca ex-delegados Luciana Pombo De Curitiba A comissão especial de sindicância criada pelo governo do Paraná para analisar o envolvimento da Polícia Civil com o narcotráfico deverá convidar, nos próximos dias, os delegados gerais que comandaram a corporação nos últimos anos para prestarem esclarecimentos. Entre os citados ontem estão Arthur Braga (que depôs em reservado na Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a rota do crime organizado e do narcotráfico no Brasil), Newton Rocha (citado na CPI) e João Ricardo Képes Noronha (ainda foragido e com prisão provisória decretada pela Justiça). De qualquer forma, não estão descartadas as convocações de outros delegados. ‘‘Temos a informação de que a infiltração da droga na Polícia Civil é recente. Começou na década de 90. Os delegados dos últimos dez anos – portanto – poderão ser chamados’’, disse José Cid Campêlo Filho, secretário do Governo e presidente da comissão especial. Ontem pela manhã, o delegado Adauto de Oliveira – titular do Grupo Força Especial de Repressão Antitóxicos (Fera) – foi chamado para prestar informações sobre o crime organizado na Polícia Civil. Depois de três horas de depoimento, o delegado sugeriu algumas modificações na estrutura de fiscalização das atividades da Polícia Civil. ‘‘Precisamos de uma mudança no aparato da Polícia Civil para coibir novos casos de envolvimentos de policiais no crime organizado’’, declarou ele. Oliveira não quis adiantar à imprensa o teor das sugestões, mas afirmou que tem esperança de que o setor de segurança do Estado seja ‘‘passado a limpo’’. ‘‘Tenho esperanças nesta comissão. Todos os integrantes são de projeção e respeito no Estado’’, destacou. Também foi sugerida a criação de uma Vara de Narcóticos no Paraná. ‘‘Vamos agora avaliar estas sugestões e verificar as viabilidades, mas já temos algumas considerações que poderão ser apresentadas de imediato ao governador Jaime Lerner’’, declarou Cid Campêlo, fazendo mistério sobre as sugestões, que serão divulgadas à imprensa apenas na terça-feira. Na segunda-feira, dia em que a comissão especial se reúne novamente, serão ouvidos o delegado-geral, Marco Antonio Lagana, às 9 horas e o corregedor da Polícia Civil, Otávio Francisco Dias, às 11 horas.