Personagens centrais da investigação que terminou com cinco vereadores acusados dos crimes de concussão e formação de quadrilha, há duas semanas, o ex-vereador Henrique Barros (sem partido) e os empresários Carlos Messas, Alexandre Fontana Guimarães e Maurício de Biagi serão convocados esta semana pela Comissão de Ética do Legislativo a prestar esclarecimentos ao grupo. A decisão foi tomada em reunião ontem à tarde, mediante análise da representação de um cidadão que pede apuração por quebra de decoro contra Barros e os vereadores Orlando Bonilha (PR), Flávio Vedoato (PSC), Renato Araújo (PP) e Osvaldo Bergamin (PMDB). Nenhum deles, contudo, é obrigado a falar à Comissão.
Segundo as investigações da Polícia Civil e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os três empresários teriam pago juntos, a Barros, cerca de R$ 47 mil a fim de que projetos de lei que envolviam empreendimentos deles fossem agilizados ou não sofressem retaliações na Casa. Em depoimentos ao Gaeco, o então vereador afirmou que o dinheiro era repartido entre os outros quatro edis, que negam a acusação.
O presidente da Comissão de Ética, vereador Roberto Kanashiro (PSDB), afirmou que outros documentos que tenham sido reunidos pelo Gaeco, desde o início das investigações, serão solicitados já a partir de hoje para subsidiar a apuração do grupo. O tucano admitiu que nenhum dos convocados é obrigado a comparecer - Barros, na próxima quinta; os empresários, na sexta, dia 8 -, mas enfatizou que eles ''prestariam esclarecimentos no sentido de colaborar com os trabalhos da comissão''.
Além das oitivas programadas, a comissão vai se balisar também pelas defesas por escrito dos quatro acusados - a de Bonilha foi protocolada já ontem, mas o conteúdo não foi revelado -, cujo prazo de apresentação vai até dia 6. Questionado se a possibilidade de Barros ou os empresários não deporem pode afetar as investigações sobre os demais vereadores, Kanashiro respondeu: ''Eles não comparecendo, a comissão vai deliberar o que fará na sequência; a princípio, a idéia é averiguar e confirmar o que está ali no depoimento do MP e que foi apresentado à Justiça''.
O advogado de Barros, o criminalista Antonio Carlos Coelho Mendes, disse que, ''se houver convocação'' por parte da Câmara, analisaria o pedido juntamente com o cliente. ''Em princípio, posso adiantar que há pré-disposição de não falar senão em juízo'', adiantou ele, usando o argumento utilizado na sessão extraordiária que selou a renúncia de Barros.
O advogado de Guimarães e di Biagi, Marcos Ticianeli, declarou ter tomado conhecimento do assunto pela reportagem e que os comunicaria, antes de se manifestar. A FOLHA contatou Messas por telefone, mas, ao ser abordado sobre a investigação, desligou e não atendeu mais as tentativas de entrevista.

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