Curitiba - Uma Comissão de Sindicância comprovou que houve desvio de recursos públicos na Câmara Municipal de Ponta Grossa. A comissão, instalada há dois meses para investigar o caso, concluiu ontem após depoimentos de funcionários do Legislativo o relatório preliminar sobre a investigação. Toda a documentação deve ser entregue hoje ao Ministério Público Estadual.
De acordo com o ex-presidente da Casa, Valfredo Laco Dzázio (PRP), o desvio foi detectado durante uma avaliação final que ele fez de seus dois anos de gestão. ''Percebi diferenças de valores ao comparar os gastos de um ano com o outro'', afirma. Ele conta que estranhou um aumento de custo em um dos setores e iniciou uma investigação extraoficial sobre o assunto. Durante as primeiras pesquisas encontrou indícios da fraude que levou a instalação da sindicância.
De acordo com o ex-presidente, as informações obtidas até o momento pela Comissão apontam como principal suspeito da fraude um funcionário comissionado que atuava no órgão desde 2001. Ele teria alterado o sistema eletrônico que controla a folha de pagamento de forma a desviar os recursos. O nome do funcionário e detalhes de como a fraude foi executada não foram divulgados pela Câmara, que prefere aguardar o relatório final da investigação.
Segundo Dzázio a suspeita recaiu sobre o funcionário porque ele teria apresentado investimentos incompatíveis com a sua renda como a compra de carros novos para ele e sua família e um comportamento ''estranho'' ao ser questionado sobre prestação e comparativo das contas. Ainda de acordo com o ex-presidente, a suspeita teria sido reforçada pelo depoimento de outros funcionários.
O atual presidente da Casa, Sebastião Mainardes Júnior (DEM), informou que deverá ingressar com uma ação civil para tentar recuperar os valores desviados. Ele explica que não há estimativas sobre o valor total do ''rombo'' causado pela fraude, uma vez que a Comissão ainda aguarda relatórios e extratos da Caixa Econômica Federal para avaliar a extenção dos danos. ''Acreditamos que seja um valor significativo'', afirmou. Outras medidas também estariam sendo tomadas como a exoneração dos suspeitos de envolvimento com o caso.

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