Comissão avalia hoje destino de Borba e Meger
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segunda-feira, 04 de maio de 1998
Denise Madue¤o e Luiza Damé Agência Folha 
A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara vota hoje o pedido de cassação dos deputados José Borba (PTB-PR) e Valdomiro Meger (PFL-PR). O relator do processo, deputado Sílvio Pessoa (PMDB-PE), vai propor a cassação do mandato dos dois por falta de decoro parlamentar. Borba foi flagrado no dia 18 de março votando pelo menos três vezes no lugar de Meger, que estava no Paraná.
A versão dos dois é contraditória. Borba afirmou que houve um acordo com o deputado pefelista e que Meger lhe forneceu sua senha por duas vezes no dia 18 de março. Meger afirmou desconhecer o acordo e negou ter passado sua senha secreta de votação para Borba. Meger, no entanto, confessou que a prática de pianismo (quando um parlamentar vota por outro ausente na sessão) é anterior ao flagrante.
A votação de hoje é considerada imprevisível - mas é a primeira parte do processo. Deputados avaliam que pode prevalecer o corporativismo. Borba conseguiu sensibilizar colegas com o seu depoimento na comissão. Ele assumiu o erro, chorou e pediu desculpas à casa. Borba afirmou que é justo ser punido. Há um movimento na Câmara para atenuar a pena proposta pela Mesa.
Parlamentares defendem a pena de suspensão de mandato por 30 dias. O relator não concorda com a alternativa. O parlamentar deve dar o exemplo de comportamento, afirmou Pessoa. Meger, ao contrário de Borba, irritou os deputados. Eles consideraram o pefelista arrogante e desonesto por não ter assumido a sua parte na fraude. Ninguém acredita que ele não forneceu sua senha também a outros deputados.


