Comissão arrisca convocar mentiroso
James Alberti
De Curitiba
O colombiano Joaquim Hernando Castilla Gimenez, que está preso na Polícia Federal de Fortaleza (CE), aguardando convocação pela CPI do Narcotráfico, não passa de um mentiroso, conforme laudo de um processo que o condenou no Paraná há dois anos, por tentativa de suborno à autoridade policial.
Em consequência disso, sua convocação, se confirmada, arrisca comprometer a seriedade das investigações sobre o narcotráfico no Brasil. Em Fortaleza, Gimenez disse à Polícia Federal ter lavado no Brasil, desde 1993, US$ 720 milhões do Cartel de Cali (Colômbia). Na confissão à PF do Ceará, ele também acusou empresários, advogados, um ex-juiz e funcionários dos bancos Safra, Unibanco, HSBC, Bradesco, Real e Bozzano-Simonsen de participarem do esquema de lavagem de dinheiro. Todos os acusados negaram envolvimento.
O relator da CPI do Narcotráfico, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), afirmou na semana passada que iria propor a convocação de Gimenez para depor na comissão parlamentar, no dia 23 deste mês, em Brasília. O delegado José Augusto Mello Chueire, chefe da PF em Paranaguá, alerta que Torgan pode estar entrando num barco furado.
A Promotoria da República também tenta evitar que as denúncias feitas por Gimenez se tornem um vexame, caso se confirme que ele seja uma fraude. Uma cópia do processo condenatório de Gimenez pela 1ª Vara da Justiça Federal no Paraná, que leva o número 1999.70.08.002728-1, está seguindo hoje para a Procuradoria da República em Fortaleza. O documento poderá servir de base para as tomadas de decisões do Ministério Público Federal daquele Estado, no que tange ao crédito que o personagem vem ganhando nas últimas semanas.
Um laudo psiquiátrico contido no processo de Gimenez, que ficou preso em Paranaguá, revela que o suposto traficante colombiano dissimula gabolice juvenil quanto fala sobre temas como dinheiro eletrônico e capital de pernoite. Em suma, um mentiroso pode ser apenas mentiroso e não (...) ser um doente mental, afirmam em laudo os peritos Tito Moreira Sales, Tânia Maria Baptista e Arlete Maria, que submeteram Castilla Gimenez a um teste de sanidade mental em 1997.
Em 1997, o delegado Chueire prendeu e interrogou Gimenez em Paranaguá. O colombiano era acusado de ter entrado ilegalmente no País e de deter vários documentos falsos. Em frente a um grupo de agentes, Gimenez tentou oferecer US$ 5 milhões como suborno, para não ser preso. Na época, o delegado acreditou na tentativa e o colombiano acabou sendo condenado a dois anos e quatro meses de prisão por este crime. Mas após cumprir sete meses e três dias da pena, o colombiano fugiu da cadeia de Paranaguá. Hoje, o delegado não acredita que Gimenez tivesse condições de concretizar a oferta, levada a sério na época.





