Brasília - A Comissão do Impeachment da Câmara aprovou ontem relatório favorável ao afastamento de Dilma Rousseff. Agora, a votação segue para o plenário da Casa, que irá decidir se abre o processo de impedimento. O parecer do relator Jovair Arantes teve 38 votos favoráveis e 27 votos contrários. Eram necessários 33 votos favoráveis ao relatório para que ele fosse aprovado, mas, independentemente do resultado, a palavra final sobre a abertura da ação é do plenário da Câmara.

O placar, já esperado pelo governo há alguns dias, eleva em mais um grau a delicadíssima situação do Palácio do Planalto. O final da votação foi acompanhado por uma desordem generalizada na comissão, com coros dos dois lados e deputados todos em pé. A mesa da comissão foi tomada por partidários e contrários a Dilma, vários com celulares gravando depoimentos.

A votação final na Câmara, no plenário da Casa, deverá acontecer no próximo domingo. Para que o Senado seja autorizado a abrir o processo contra Dilma, e afastá-la do cargo, são necessários os votos de pelo menos 342 dos 513 deputados - ou seja, dois terços do total (66,7%). Na comissão, os votos contra Dilma somaram 58% do colegiado.

A votação, que estava prevista para 17 horas de ontem, só começou às 20h30. Foi aberta oportunidade para discursos dos líderes dos 25 partidos e os dois líderes da minoria e da maioria O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, responsável pela defesa da presidente Dilma Rousseff disse horas antes da votação que o parecer apresentado era uma "peça de absolvição histórica da presidente".

MURO
No discurso de abertura da sessão, o presidente da comissão, Rogério Rosso, criticou a intenção de instalar uma cerca na Esplanada dos Ministérios, da frente do Congresso até a rodoviária, para separar manifestantes contrários e a favor do impeachment nos dias de votação. "Cada vez que se ergue um muro se segrega um povo. Este não é o momento de dividirmos um país ainda mais", disse. "Não é hora de construir muros, mas de deixarmos as disputas de lado para que, ao final desse processo, independentemente do resultado possamos nos unir para superar as crises que assolam o país."

DIVISÃO
Nos discursos que antecederam a votação do relatório sobre o impeachment, os líderes dos 25 partidos na Câmara deixaram claro a divisão partidária sobre o afastamento da presidente Dilma Rousseff. Nas falas, 11 partidos se afirmaram a favor do impeachment -PSDB, DEM, PRB, PSB, PTB, SD, PSC, PPS, PV, PSL e PMB-, dez deles se colocaram como contrários -PT, PP, PDT, PTN, PC do B, PSOL, Pros, Rede, PT do B e PEN - e quatro mostraram estar divididos - PMDB, PSD, PR e PHS.

Apesar da divisão apontada na comissão, a maioria das bancadas não vota de forma unificada no plenário, o que mantém ainda incerto o placar da votação do próximo fim de semana. As falas demonstram que a forte negociação do governo com os partidos do centro PSD e PR até agora não foram suficientes para que eles tomassem uma posição horas antes da votação na comissão especial.

O líder do PR na Câmara, Mauricio Quintella Lessa (AL), optou por não se pronunciar nem ceder os dez minutos de sua liderança a outro deputado. Favorável ao impeachment, ele deixou o posto de líder da sigla no fim da tarde de ontem. O PSD, por sua vez, dividiu seus dez minutos de fala na comissão entre um deputado favorável ao impeachment - Marcos Montes (MG)- e um contrário - Paulo Magalhães (BA). O deputado Aliel Machado (Rede-PR), único deputado do partido que até então estava indefinido na comissão, se posicionou contrário ao impeachment. No caso do PP, sigla com a quarta maior bancada na Câmara e cujos votos têm sido disputados pelo governo e por partidos favoráveis ao impeachment, o líder da legenda na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB), afirmou seu voto contra o afastamento de Dilma. No último domingo, contudo, nove diretórios estaduais do partido fecharam posição favorável ao impedimento, entre eles SP, RS, PR, GO e MG. Dos cinco deputados do PP na comissão, três devem votar a favor do impedimento de Dilma.

COMEMORAÇÃO
Buzinaço, panelaço, vuvuzelas e palavras de ordem contra o PT e Dilma Rousseff foram usados para comemorar a aprovação do relatório favorável à abertura do processo de deposição da presidente. Em São Paulo, nos bairros de Pinheiros, Jardins, Brooklin, Morumbi e na região da Avenida Paulista ocorreram buzinaços e gritos de "fora, Dilma" e "fora, PT".

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