Agência EstadoTemer (em pé) conversa com Odacir Klein, presidente da comissão: primeira vitória do governo pela reeleiçãoBRASÍLIA - O governo venceu a primeira etapa da luta pela reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. A emenda que permite reeleger presidente, governadores e prefeitos foi aprovada ontem na comissão especial da Câmara dos Deputados por 19 votos a 11. O PFL, o PMDB e o PSDB, unidos, produziram 18 votos. O PSB deu o 19º. Os 11 votos contrário saíram de uma aliança entre o PPB do ex-prefeito Paulo Maluf, o PT de Luiz Inácio Lula da Silva, o PDT e o PC do B.
Com o fim dos trabalhos a comissão especial foi extinta. Agora, o governo vai aguardar até ter a certeza de que dispõe de mais de 308 votos no plenário da Câmara para incluir a emenda na ordem do dia da sessão. Por enquanto, o governo não tem os votos necessários. A melhor avaliação chega a 298 votos, 10 a menos do que o mínimo exigido. Para o líder do governo, Benito Gama (PFL-BA), a vitória na comissão especial foi importante mas ainda não conseguiu encobrir todos os estragos que a recente crise entre o PMDB e o governo causou nos planos dos defensores da reeleição.
A reunião da comissão especial durou três horas e vinte e cinco minutos. As oposições, que depois de perder a primeira votação pretendiam lutar pela aprovação de um plebiscito, foram derrotadas. Retiraram-se da comissão especial, deixando para trás seus pedidos de destaques, cujo principal objetivo era a obstrução dos trabalhos. ‘‘Não temos mais o que fazer aqui’’, disse o líder do PDT, Matheus Schmidt (RS). ‘‘Vamos aguardar o plenário.’’ Ele foi acompanhado do PT, que também se retirou.



Emenda só vai a
plenário quando
o governo tiver
certeza da aprovação


Além de aprovar a emenda exatamente como fora redigida pelo relator Vic Pires Franco (PFL-PA), o governo conseguiu também, por 17 votos a 13, evitar que as oposições vinculassem a reeleição a um plebiscito. Os dois votos a mais conseguidos pelos oposicionistas nesta votação foram dados por Fernando Lyra (PSB-PE), que vinha votando com o governo, e pelo deputado João Natal (PMDB-GO).
O voto dissidente de João Natal teve companhia no PMDB. Em outra votação, na qual os líderes do governo juntaram em um bloco todos os pedidos de destaques feitos por parlamentares, Carlos Nelson (PMDB-SP) ficou do lado das oposições. O PPB e o PL, que fazem parte da base de sustentação do governo, cumpriram a promessa e votaram pela rejeição da emenda que permite reeleger o presidente Fernando Henrique Cardoso.
O PMDB significou para o governo a mais difícil conquista dos votos. Faltavam cinco minutos para o início da reunião da comissão especial, marcada para as 10 horas, e ninguém sabia ao certo se o partido obedeceria à orientação do líder Michel Temer (SP), de votar a favor da reeleição. O suspense continuou até a hora em que foi feita a chamada nominal e os seis integrantes do partido deram o sim ao parecer de Vic Pires Franco.

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