Comissão aponta irreguralidades na UEPG
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de março de 2004
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da CPI das Universidades na Assembléia Legislativa, deputado Mário Sérgio Bradock (PMDB), disse que a comissão já tem indícios de que houve irregularidades na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). A conclusão foi tirada depois que ele e outros quatro integrantes da CPI tomaram depoimento de oito funcionários da instituição (um deles aposentado), na manhã de ontem, em Ponta Grossa. A CPI foi instalada depois que Bradock recebeu do sindicato que representa os servidores da UEPG um dossiê, no final de fevereiro, com várias denúncias de supostos desvios de recursos e má gestão administrativa.
Segundo Bradock, há comprovação do desvio de receita no departamento de Odontologia da UEPG e da Fazenda Escola, onde foi identificada, por exemplo, a venda de animais a ''preços irrisórios'', além do desvio de combustíveis. O deputado afirmou que os valores supostamente desviados ainda serão apurados. As irregularidades teriam acontecido em gestões anteriores à do reitor Paulo Roberto Godoy.
Prestaram depoimento, ontem, os funcionários Rosvaldo Kalinoski, Carlos Schiebelbein, Elias Fadel, Carlos Ferreira, Wilson Stori, Eloir Moresco, Gabriel Kravchychyn e o ex-funcionário Dorival de Arruda Moura Filho. Este, segundo informações da UEPG, foi chefe do setor financeiro da instituição entre 1990 e 1992. O depoimento de outros oito servidores, também previsto para ontem, foi suspenso e deve ficar para depois do feriado da Semana Santa.
Bradock disse, ainda, que independente da comprovação das irregularidades na UEPG, já é certo que o ''modelo de gestão atual das universidades estaduais é insustentável''.
O reitor da UEPG, Paulo Roberto Godoy, disse que recepcionou os deputados e entregou a eles todos os documentos requisitados. Godoy garante que também atendeu o pedido da CPI de manter lacrados os prontuários de atendimento odontológico feito pela instituição. Uma das denúncias constantes no dossiê é de que haveria cobrança de serviços já pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a emissão de recibos para atendimentos nunca realizados.
Segundo informações da procuradoria jurídica da UEPG, há denúncias baseadas em suposições como a de possíveis desvios na obra de pavimentação do Campus Uvaranas. Outras supostas irregularidades apontadas no dossiê seriam a falta de controle de frequência e faturamento do restaurante universitário e a ausência de controle do patrimônio móvel da universidade.
O procurador do Estado, Wallace Soares Pugliesi, que presidiu a comissão de sindicância do governo não quis comentar o resultado das apurações. Segundo ele, o relatório foi entregue no início na semana passada aos titulares das pastas envolvidas (Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Fazenda, Administração e Procuradoria-Geral do Estado). A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, informou que a decisão de instaurar ou não procedimento administrativo disciplinar será da PGE.
O promotor do Patrimônio Público junto ao Ministério Público (MP) estadual de Ponta Grossa, Fuad Faraj, que também está investigando as supostas irregularidades, disse que instaurou um inquérito civil para cada uma das 17 denúncias recebidas pelo órgão. Duas testemunhas foram ouvidas e o MP está recebendo a documentação solicitada à UEPG. Faraj quer ter acesso ao relatório da sindicância e informou que vai acionar, também, o Tribunal de Contas (TC) do Estado.(Colaborou Maria Duarte)


