Comissão aceita impeachment de Ignácio
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de agosto de 2001
Lucia Martins<BR>Agência Estado 
A Comissão Especial da Assembléia Legislativa do Espírito Santo decidiu aceitar ontem o pedido de impeachment do governador do Estado, José Ignácio Ferreira (sem partido). ''Há fortes provas de que houve improbidade administrativa e, por isso, nosso parecer é pelo recebimento da denúncia contra o governador'', disse o relator da comissão, deputado Gil Furieri (PMDB). O relator citou seis casos de corrupção (que também são alvos de investigação do Ministério Público e da CPI da Propina) envolvendo o governador e argumentou que cinco deles ''merecem análise'' por haver indícios de crime de responsabilidade, omissão ou negligência de Ferreira.
Os trabalhos foram interrompidos pelo deputado José Tasso (PFL), aliado do governador, que pediu vistas do processo e mais 24 horas para que o relatório fosse melhor apresentado aos deputados. A maioria, no entanto, discordou e permitiu que ele tivesse apenas 30 minutos.
Ontem à noite, os deputados deveriam votar o parecer da comissão especial. A aprovação caberia ao plenário, com voto aberto. Caso o processo de impeachment seja aberto, o governador ainda terá 20 dias para se defender. E, somente após uma segunda aprovação do plenário, Ferreira poderá ser afastado do cargo por até 180 dias.
O pedido de impeachment é baseado nas acusações de corrupção e cobrança de propinas que teriam sido organizadas por ex-secretários de Estado, como a primeira-dama, Maria Helena Ruy Ferreira, e seu irmão Gentil Ruy. O governador é acusado de omissão e cumplicidade. As investigações começaram em abril, quando foi aberta a CPI da Propina para apurar denúncias apontadas em um dossiê com fitas que mostravam a cobrança de propinas. Há ainda seis inquéritos sendo apurados no Ministério Público, o que levou à prisão de vários envolvidos, entre eles o cunhado do governador.


