DELÚBIO E SILVINHO - O petista defendeu o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira, apontados como pivôs da crise. ''Os dois [Pereira e Delúbio] continuam meus amigos. [...] O Delúbio tem uma vida simples. Ele pode ter cometido grandes erros, mas é uma pessoa honesta. O Delúbio não é uma pessoa corrupta. Ele cometeu erros e está pagando por eles. Eu quero defendê-lo aqui e agora.''

OUTRA SITUAÇÃO - Dirceu disse que, se fosse ministro ou dirigente petista, não estaria na atual situação. Instado a ser mais claro, não quis dar detalhes e pediu desculpa, uma das muitas vezes em que fez isso. ''Infelizmente, eu não sou mais nem deputado, nem ministro, nem presidente do PT. Se eu fosse, seguramente, a situação seria outra. Com o perdão da falsa modéstia. [...] Na verdade, eu não devia ter afirmado isso. Peço desculpas. Foi um excesso da minha parte, dado o cansaço e a emoção.''

A CASSAÇÃO - O ex-ministro afirmou que respeita a decisão da Câmara, mas fez críticas ácidas. ''O Congresso deu um passo que eu considero arriscado. Espero que isso não se volte contra o próprio Congresso e a democracia''.

DOR PESSOAL - Ao falar da sensação de ser cassado, o ex-homem-forte do governo afirmou que a ''vida é dura''. ''Para mim, é uma violência, parece que perdi a minha própria vida. É uma dor que vocês não podem imaginar. Mas eu espero ter forças para superar.''

LIVRO - Dirceu afirmou que seu livro conterá várias revelações sobre o governo, mas que Lula não precisa temê-lo. ''Vou fazer um livro para ajudar o Brasil a repensar o Brasil, repensar o Estado. Um livro que não será chapa-branca. Eu não posso revelar segredos de Estado, mas inconfidência políticas eu posso. Todo mundo sabe que eu, quando faço a luta política, faço com lealdade, com transparência. Ninguém tem que temer nada. É preciso expor para o país as limitações e os erros de um dos melhores governos que o país teve, inclusive para ter autoridade para pedir um novo mandato para o PT.''

LULA - O deputado cassado declarou que sempre agiu por ordem do presidente. ''Não é verdade que algum dia eu exerci qualquer poder que não seja delegado pelo presidente. Sempre fui leal e obedeci à hierarquia do governo. Nunca me sentei antes de o presidente sentar, nunca chamei o presidente de Lula, sempre chamei de senhor presidente. Eu tenho consciência da liturgia do cargo. Isso [pensar diferente] é uma ofensa ao presidente, que exerce com autoridade o cargo.''

ERROS - Dirceu disse, sem entrar em detalhes, que muitos erros que cometeu foram de responsabilidade também do PT, do governo e de Lula. ''Seguramente eu cometi muitos grandes erros para chegar nessa situação. Eu sou de opinião de que eu deveria ter saído da Casa Civil no final de 2004. Esse foi um. Outros cometi junto com o governo, junto com o presidente, junto com o PT.''

DIRCEU POR DIRCEU - Tentando transbordar humildade, Dirceu disse que não quer ser visto como vítima. ''Sou apenas o Zé Dirceu e me sinto muito bem como Zé Dirceu. [...] Não me sinto nessa posição de vítima, tem coisa muito mais grave acontecendo no país, milhões de brasileiros em situação muito mais grave. Não vamos dramatizar muito isso, não tem essa importância toda. Vou continuar lutando dentro das minhas possibilidades, que agora são muito pequenas, tenho consciência disso. Se não, vão dizer que Zé Dirceu está aí de novo, achando que é o rei da cocada''.

A CRISE - Em dado momento, Dirceu afirmou que a crise é artificial. Depois, recuou. ''A crise política tem um lado artificial, que é provocado pela oposição, para desestabilizar o governo. Vamos falar as coisas com franqueza. [...] Não estou dizendo que a crise é artificial, ela tem razões que precisam ser investigadas.''

IMPRENSA - Apesar de dizer que a imprensa tem direito a ter opiniões, Dirceu acusou setores dela de ''noticiário dirigido''. ''Acho que a imprensa tem o direito de investigar, denunciar, mas não fazer denúncias evasivas. Parte da imprensa age como partido político no Brasil. [...] Não diria que a imprensa não deve expressar suas opiniões para seus leitores nem fazer investigações, mas daí existe uma fronteira para onde começa a disputa política. No Brasil, os donos de imprensa têm interesses econômicos. A imprensa não é neutra, tem os seus problemas, as suas dívidas.''

O FUTURO - O ex-ministro disse que sua prioridade no momento é trabalhar para ganhar dinheiro. ''Eu não tenho dinheiro para pagar a pensão das minhas filhas no mês que vem. [...] Quem sou eu para fazer planos para oito anos? Vou fazer planos para a semana que vem. Deixa a vida levar, como disse o Zeca Pagodinho.'' Negou guardar mágoa. ''Não é uma postura aceitável da minha parte remoer o que passou. Nunca tive mágoa, se tivesse já tinha infartado ou tido crise renal.''

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