Comerciante nega ligação com tráfico
Carmem Murara
De Curitiba
O comerciante Ricardo Barcellos, dono da empresa ANR Materiais de Construção Ltda., negou ontem o envolvimento com a quadrilha do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Barcellos depôs por quase duas horas na Delegacia Antitóxicos, em Curitiba. Ele foi convocado após a suspeita de que a loja que administra, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba), seja fachada para a lavagem do dinheiro do narcotráfico. Os delegados Clóvis Galvão (Divisão de Investigações Criminais) e Alcimar Garretti (Antitóxicos) demonstraram estar convencidos de que o rapaz é inocente.
Barcellos contou ao delegado que conheceu Beira-Mar quando era criança no Colégio Estadual Dulce Petri, em Duque de Caxias (RJ). Anos mais tarde, em 1994, os dois teriam se encontrado na rua e o traficante propôs a Barcellos que gerenciasse a sua empresa de materiais de construção, recém-inaugurada em Colombo. Como estava desempregado, Barcellos aceitou o convite.
Em seu depoimento, o comerciante contou ainda que não tinha conhecimento do envolvimento de Beira-Mar com o tráfico de drogas, mas quando a suspeita foi levantada e ele foi preso pela Polícia Federal em Belo Horizonte (MG), Barcellos decidiu se afastar. Ele disse ao delegado que comprou a loja de Beira-Mar no ano passado, ao contrário do que havia dito à Folha, na semana passada, quando declarou ter feito a compra da empresa no final de 1996.
Barcellos estava acompanhado de seu advogado Luiz Carlos Piloto. Os dois deixaram a sala do delegado Guarretti sem dar declarações à imprensa. Estou sendo prejudicado por tudo isso, foram as únicas palavras de Barcellos, antes de entrar em seu carro, um Verona com placa de Curitiba e adesivo da Polícia Civil no pára-brisas.
O delegado Clóvis Galvão afirmou que pediu os documentos da ANR Materiais de Construção para checar a contabilidade da empresa. Queremos saber o quanto a empresa movimenta. Ele diz que a empresa está no vermelho, afirmou Galvão.
O inquérito que apura as relações de Fernandinho Beira-Mar, no Estado, está sendo conduzido pelo delegado Alcimar Garretti. Ele iniciou as investigações há uma semana, quando assumiu a delegacia. Os policiais ainda não foram à casa de Jaime Amato Filho, considerado braço direito de Beira-Mar. Ele mora na favela Morro do Piolho, no bairro da Fazendinha, em Curitiba.
Garretti utilizou ontem o mesmo discurso do delegado-geral da Polícia Civil, João Ricardo Noronha, de que o narcotráfico não tem raízes no Paraná. O Estado é apenas uma rota para o tráfico, disse Garretti.





