Comerciante faz acusações a prefeito de Tamarana
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sexta-feira, 17 de maio de 2002
Cristiane Oya Reportagem Local 
O prefeito e o vice-prefeito de Tamarana (62 km ao sul de Londrina), Paulo Nakaoka (PSDB) e Plínio de Araújo Júnior (PTB), estão sendo acusados de desviar dinheiro da prefeitura para pagamento de dívidas da campanha política de 2000. Araújo prestou depoimento ontem à promotora de Defesa do Patrimônio Público, Solange Vicentin.
A denúncia, que gerou a abertura de um processo administrativo, foi feita à promotora no início do mês pelo comerciante Wagner Nunes do Nascimento, proprietário da Farmácia Tamarana. Segundo Nascimento, em meados de julho do ano passado, o vice-prefeito o teria procurado propondo um acordo para o pagamento da dívida da prefeitura, cerca de R$ 101 mil, referente ao fornecimento de medicamentos na gestão do ex-prefeito Edson Siena (PFL).
Pelo acordo, a dívida seria recalculada em R$ 51 mil e paga em parcelas. Mas parte desse valor R$ 13,6 mil teria de ser devolvido e rateado entre ele (Araújo), o prefeito e o secretário de Finanças, Anilson de Oliveira Lima. Nascimento alegou que aceitou a proposta por temer que fosse vetada a participação de sua empresa em licitações na prefeitura.
O comerciante declarou que recebeu a primeira parcela, no valor de R$ 10 mil, em agosto de 2001, e R$ 4 mil nos meses subsequentes. Sempre cheques da prefeitura recebidos no caixa da prefeitura, afirmou no depoimento.
No início de abril, Araújo teria voltado a procurar Nascimento para acertar a devolução do valor combinado. O comerciante disse que recebeu e endossou um cheque, no valor de R$ 13.622,17 que voltou para as mãos de Araújo. Mesmo antes de receber o cheque, o declarante (Nascimento) telefonou para o prefeito e perguntou se podia assinar o cheque e devolvê-lo para Plínio; que o prefeito lhe respondeu que estava tudo certo, relatou o comerciante.
Conforme Nascimento, o cheque foi endossado em favor de Cláudio Rodrigues Sales, concunhado de Araújo, para o pagamento de uma dívida de campanha feita por Nakaoka em outubro de 2000. No verso da cópia do cheque, apresentado pelo comerciante ao MP, consta transferido a Cláudio Rodrigues Sales para pagamento do cheque em nome de Paulo Nakaoka.
De acordo com Nascimento, dias após a transação, Araújo o teria procurado novamente, desta vez propondo que denunciasse o prefeito pelo desvio dos mesmos R$ 13,6 mil. O objetivo era forçar a cassação de Nakaoka para que o próprio Araújo assumisse a prefeitura. Como recompensa, Nascimento seria nomeado secretário de Agricultura e teria a inclusão da Farmácia Tamarana no rol de fornecedores da prefeitura. Receoso, o comerciante decidiu denunciar não só o prefeito como também o vice.
Em depoimento prestado no último dia 13, Cláudio Rodrigues Sales confirmou que emprestou R$ 10 mil para Nakaoka, logo após as eleições, a juros de 3% ao mês, e que no dia 17 de abril recebeu como pagamento o cheque de R$ 13.622,17 de Araújo. Sales ainda declarou que recebeu outro cheque, de R$ 5.055,00, emitido por Paulo Nakaoka. O prefeito deverá ser ouvido pela promotora na próxima semana. A Folha tentou entrar em contato com o secretário de Finanças, mas ele não foi localizado. A promotora não quis se manifestar sobre o caso.


