O Ministério Público (MP) estadual continua as investigações sobre as denúncias de um suposto caixa 2 na campanha à reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). Ontem foi ouvido o proprietário da franquia da agência dos Correios no bairro Barreirinha, Leomir Salvalaggio. Entradas no livro-caixa, confirmado como autêntico pelo tesoureiro de Cassio, Francisco Paladino Júnior, apontam para despesas com a agência não declaradas à Justiça Eleitoral.
Os promotores do MP não divulgaram o teor do depoimento. Segundo a promotora Margareth Mary Ferreira, o conteúdo deve ser divulgado somente no final da semana. ''Houve certas incongruências no depoimento do sr. Leomir, e iremos realizar diligências paralelas para investigá-las. Para não atrapalhar as investigações, manteremos o sigilo nesse caso'', explica.
A agência da Barreirinha foi escolhida pelo comitê do PFL para fazer as expedições de material impresso mais vultosas. Na prestação de contas oficial, cinco recibos indicam o pagamento de R$ 69.428,80 à agência a título de despesas postais. Esses lançamentos também estão registrados nos documentos entregues por Paladino. Uma despesa de R$ 512,00 com a agência da rua Ângelo Sampaio foi a única registrada que não ocorreu na Barreirinha.
O foco das investigações do MP está em três entradas registradas no livro-caixa na semana de 19 a 26 de outubro do ano passado. Nesse período, a movimentação contábil registrou a saída de R$ 375.188,14 para ''Correios - Barreirinha''. O valor é 5,4 vezes maior do que o declarado à Justiça.
Procurado pela Folha, Salvalaggio confirmou que prestou depoimento ao MP ontem. Quanto ao assunto discutido, ele foi taxativo. ''Não tenho nada a declarar'', disse rispidamente, antes de desligar o telefone. O MP continua agora a ouvir empresários citados nos documentos entregues pelo PMDB no início do mês. O senador Roberto Requião (PMDB) afirmou que pode entregar mais documentos ao MP ainda nesta semana.

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