Comenda Jacu caiu no esquecimento
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de abril de 2001
De Londrina 
O homenageado deverá comprovar que ouviu, pelo menos uma vez, o piar de um jacu enquanto uma árvore tombava aos golpes de um machado sete-libras. Mais parece literatura, mas o lirismo politicamente incorreto do texto acima é o primeiro parágrafo do artigo 2º do projeto de lei número 276/99, de autoria do ex-vereador londrinense Jaci Aguiar (PPB), que acabou esquecido após sua elaboração.
A intenção fracassada do legislador, que acabou não conseguindo a reeleição, era instituir uma comenda aos pioneiros de Londrina, cujo um dos mascotes era o Penelope superciliares, nome científico do jacu, ave que era a companhia mais presente dos mateiros.
Para ter direito à honraria, o candidato não precisava fazer muito esforço. Era só declarar de próprio punho que havia passado pela situação descrita no início deste texto, além, é claro, de comprovar que havia fixado residência na cidade até 1950. O projeto previa a concessão do título post mortem. O homenageado seria chamado de comendador Jacu.
Não era a primeira tentativa de Aguiar em glamourizar a imagem do pássaro. Quatro anos antes, ele tentou incluir o jacu entre os símbolos do município, mas os argumentos do autor do projeto não sensibilizaram a comissão que analisou a matéria. Assim, o jacu, ave terrestre que originou o depreciativo termo que acompanhou os norte-paranaenses da zona rural por muito tempo, perdeu a oportunidade de deixar a história como símbolo do homem rude, sem cultura, inibido e desconfiado, para se tornar glória e emblema de uma cidade próspera e importante. (L.F.M.)


