São Paulo - Enquanto a decisão de ter Marina Silva na cabeça de chapa, como sucessora natural de Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no dia 13 de agosto, parece ponto pacífico, a bolsa de apostas para o nome do vice ou da vice segue variada. Alguns nomes, no entanto, já começam a ganhar força. Segundo interlocutores do PSB e assessores próximos às lideranças, despontam os nomes do deputado federal Beto Albuquerque (RS), do ex-ministro Fernando Bezerra e do deputado federal Júlio Delgado (MG).
Os interlocutores são praticamente unânimes em dizer que a chapa será com vice do PSB, que tenha tido relação próxima a Campos e que tenha se envolvido com o projeto que o candidato tocava ao lado de Marina. "O vice tem que ter o trânsito que a Marina não tem", disse um integrante do partido. Isso poderia apaziguar os ânimos com setores reticentes à ex-senadora, como o mercado financeiro e o agronegócio. Nesse sentido, despontam Beto e Delgado. Bezerra também ganha força por ser de Pernambuco, mas há indicativos de que o regionalismo poderá contar menos pontos.
Entre as apostas de Pernambuco, foram citados também Mauricio Rands, coordenador de programa da campanha até aqui, integrantes da família de Eduardo, em especial o irmão Antônio e a mulher Renata, e até mesmo o afilhado político de Campos, Paulo Câmara. Pesa contra o nome de Rands o fato de ele ter vindo recentemente do PT. Os membros da família são tratados internamente como cartas fora do baralho. E Câmara ser deslocado da sua campanha para governador de Pernambuco seria um risco desnecessário.

Há ainda o nome de Luiza Erundina, apoiado pelo presidente em exercício do PSB, Roberto Amaral. Amaral, diz-se nos bastidores, chegou a batalhar por Erundina como cabeça de chapa, mas logo viu que seria inviável. "Tirar Marina seria assumir que o projeto estava todo errado. Ela era boa pra ser vice na campanha e não seria boa pra assumir a candidatura? É um discurso que não se sustentaria", concluiu outro assessor. Erundina, apesar de correr por fora, poderia ganhar peso pelo seu nome com o eleitorado de São Paulo, onde Marina terá dificuldades, dado que não apoia a aliança com o governador candidato à reeleição Geraldo Alckmin (PSDB).

Velório
A expectativa era de que os corpos de Eduardo Campos e dos assessores Carlos Percol, Alexandre Severo e Marcelo Lyra chegassem ao Recife por volta das 23h de ontem. Se esses prazos forem cumpridos, o sepultamento de Eduardo Campos vai ocorrer às 17h de hoje, no Cemitério Santo Amaro, na região central da capital do Estado de Pernambuco.

mockup