JacartaO filho mais jovem do ex-presidente Suharto, Tommy, acusado da morte de um juiz, compareceu ontem ante um tribunal em um julgamento sem precedente na Indonésia. Tommy, um empresário de 39 anos, milionário e play-boy, intocável quando seu pai ocupava o poder, sentou-se no banco dos réus e escutou tranquilamente a ata da acusação. O filho do ex-mandatário é acusado de ter encomendado o assassinato do magistrado do Tribunal Supremo Syafiuddin Kartasasmita no dia 26 de julho do ano passado, o mesmo juiz que o havia condenado a 18 meses de prisão por corrupção. O juiz foi atingido por quatro disparos mortais em Jacarta, em plena luz do dia. Os dois assassinos, que estavam em uma moto, foram detidos e também estão sendo julgados, mas em processo separado.
Segundo a acusação, Tommy contratou os dois pistoleiros para que matassem o juiz e inclusive lhes deu armas. O acusado, que proclama sua inocência, pode ser condenado à morte se for declarado culpado de homicídio.
O filho do ex-presidente também está sendo processado por porte ilegal de armas – delito também punido com pena de morte – e por ter sido foragido da justiça durante um ano.
Hutomo ‘‘Tommy’’ Mandala Putra, um dos símbolos da corrupção e do nepotismo do regime Suharto para numerosos indonésios, foi finalmente detido no dia 28 de novembro passado. Seu julgamento vai durar de três a quatro meses, pois só haverá uma audiência semanal.
A fortuna pessoal deste amante dos automóveis de corrida, dos cassinos e das mulheres ronda os 800 milhões de dólares, segundo a revista norte-americana Time.
Defensores de direitos humanos temem que o dinheiro consiga que o filho de Suharto se livre da condenação.

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