A partir de hoje, a disputa pela sucessão presidencial começa a ser definida com o início oficial do horário gratuito de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Para a oposição, o início da campanha eletrônica é a grande oportunidade para tentar reverter a desvantagem apontada pelas pesquisas eleitorais, que mostram o presidente Fernando Henrique Cardoso em primeiro lugar, com possibilidade de vencer já no primeiro turno. A expectativa é de que o horário eleitoral deve transformar-se na batalha decisiva na guerra pela sucessão presidencial.
Para o presidente-candidato, a idéia é aproveitar a vantagem de ter o maior tempo disponível entre todos os candidatos e mostrar as realizações do governo. O objetivo é passar para o eleitor a idéia de que o País melhorou desde a posse de Fernando Henrique e sua reeleição garantirá a ampliação do desenvolvimento. A linha dos programas será basicamente jornalística, mostrando as conquistas obtidas com a estabilização da economia.
Apesar disso, os governistas querem impedir que os próximos 45 dias (prazo do horário eleitoral) permitam a criação de espaço para que a oposição possa criticar com sucesso o presidente e melhorar seu resultado nas pesquisas. ‘‘Não podemos permitir que se crie marola na campanha’’, explica um dos principais aliados do presidente.
Do lado da oposição, o início do horário eleitoral gratuito é visto com otimismo. Para o candidato do PPS, Ciro Gomes, os programas serão aproveitados para que possa apresentar-se aos eleitores. Segundo a assessoria do ex-governador do Ceará, ele pretende usar o espaço para furar o bloqueio que lhe estaria sendo imposto pela grande imprensa e apresentar suas propostas ao eleitorado. Ciro quer mostrar que sua candidatura pode ser uma alternativa à de Fernando Henrique Cardoso e à do petista Luiz Inácio Lula da Silva.
Os petistas apostam suas fichas nos programas e querem apresentar à opinião pública pontos que consideram falhos no atual governo. A principal bandeira será a crítica ao elevado índice de desemprego e a uma suposta falta de política de redução da exclusão social. Ao lado de seu candidato a vice-presidente, Leonel Brizola, Lula quer mostrar que pode manter a estabilidade econômica do Brasil, mas também dando prioridade à área social, como saúde e educação.

mockup