Assunto até então restrito aos bastidores, a sucessão na Presidência da Câmara de Vereadores de Londrina finalmente ganhou o Plenário. A eleição para o mandato de dois anos acontece no próximo dia 19, data da última sessão ordinária, mas teve ontem o primeiro embate no sentido de haver uma chapa única.
À Mesa, o presidente do Legislativo, Orlando Bonilha (PL), puxou o pedido para que os colegas trabalhassem em prol de uma ''chapa de consenso'' encabeçada pelo vereador Sidney Souza (PTB). ''Cada vez que tem eleição com bate-chapa, essa Casa sai rachada. Que busquemos uma pessoa de consenso'', recomendou, elencando qualidades de Souza e evocando o fato de o petebista ter iniciado a carreira política junto com Bonilha, há três mandatos. ''Vou estar votando nele, pois é uma pessoa capacitada'', sustentou.
As declarações do vereador surtiram quase que um efeito dominó: dos 17 vereadores presentes - Flávio Vedoato (PSC) se ausentou -, oito repercutiram publicamente a candidatura de Souza, entre os quais, o próprio.
De longe, visivelmente constrangido, o vereador Renato Araújo (PP), outro candidato declarado, não se manifestou ao microfone - apenas em conversas com alguns dos que abriram o voto.
Depois de deixar o Plenário, Bonilha reiterou que vai trabalhar pela chapa única e negou que a iniciativa tenha causado uma saia-justa com Araújo. ''Ele foi um dos primeiros a saber meu posicionamento.''
Araújo preferiu minimizar o episódio, lembrando que ainda há tempo até a eleição - definida por maioria simples e votação aberta. ''Isso é normal, faz parte do processo regimental e democrático da Casa'', definiu, com uma ressalva na avaliação: os colegas teriam adotado uma manobra como ''estratégia para testar a força da outra candidatura''.
Otimista, Souza apresentou um cálculo de apoio. ''Tenho 13 nomes me apoiando, mas sei que a eleição se ganha só no dia. De qualquer forma, o trabalho a partir do ano que vem, independente de quem ganhar, será restabelecer a união na Casa'', ponderou. (J.G.)

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