Curitiba - O grupo de trabalho montado pelo governo do Estado para calcular a indenização das concessionárias do pedágio está debruçado sobre os dados do orçamento do Estado. Isso porque a indenização tem que ser encaixada na contabilidade estadual. Por lei, o texto com a proposta orçamentária de 2004 tem que ser encaminhado à Assembléia Legislativa até o dia 30 de setembro. ''Esse é o prazo fatal para terminar os cálculos'', disse o advogado Pedro Henrique Xavier, assessor da Procuradoria Geral do Estado (PGE) e coordenador do grupo. A equipe é formada por técnicos do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) e de diversas secretarias de Estado.
As seis concessionárias estimam em R$ 3 bilhões o ressarcimento total devido com a encampação. Xavier, porém, avalia que o indenização ficará na casa dos milhões. O advogado Alexandre Gavriloff enviado pelo Ministério dos Transportes ao Paraná com a missão de estudar a situação do pedágio no Estado fez ontem sua primeira reunião com o governador Roberto Requião (PMDB) e membros do primeiro escalão. Com isso, foi instaurado o processo de auditoria nos custos do pedágio, com a participação do governo federal.
''Essa auditoria vai quebrar a caixa-preta do pedágio. Estamos dando o primeiro passo para reestruturar toda a questão do pedágio no Brasil'', declarou Requião. O governador disse que o governo de Mato Grosso pretende construir 760 quilômetros de estradas com dinheiro de empresas privadas, que serão amortizadas em 15 anos.
''O pedágio nesta estrada do Mato Grosso será de US$ 5,50 a tonelada. Tarifa mais barata, portanto, do que de Foz do Iguaçu a Paranaguá. E veículos de passeio não pagarão pedágio. Só pagarão caminhões com mais de dez toneladas'', disse o governador. O governador disse que o Estado vai trabalhar com calma na auditoria e que agora ''está preocupado em saber quanto o Paraná terá de receber de volta das concessionárias'', que totalizaram R$ 1,3 bilhão em receitas de 1998 até o final de 2002.
Xavier explicou que a partir de agora o governo vai verificar os reais custos das concessionárias.
Gavriloff afirmou que a auditoria será transparente. Devem participar, segundo ele, representantes do Tribunal de Contas da União, Ministério Público Federal e membros da sociedade civil organizada.
O primeiro-secretário da Assembléia Legislativa, Nereu Moura, entregou ontem ao governador as seis mensagens que autorizam o Estado a assumir as 26 praças de pedágio. Requião deve sancionar as mensagens hoje. Não há uma data definida para o governo concretizar a encampação.

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