Curitiba Os dois primeiros colocados nas pesquisas eleitorais para o governo do Estado, os senadores Alvaro Dias (PDT) e Roberto Requião (PMDB), já estão de olho nos apoios políticos que precisarão em um quase certo segundo turno, a ser realizado no dia 27 de outubro.
A busca pelas adesões vai se dar basicamente pela afinidade entre os partidos. Brigas e desavenças antigas também vão pesar na hora de os líderes partidários optarem por um palanque. Além disso, como a verticalização impôs regras, alguns apoios terão que ser informais.
O PMDB tem mais afinidade com o PT, haja vista o bom relacionamento entre Luiz Inácio Lula da Silva, o presidenciável petista, e Requião. Mesmo alinhado ideologicamente com o PDT, os petistas não demonstram disposição para conversar com Alvaro, que já foi do PSDB do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Já o tucano Beto Richa tem, pelo menos em tese, mais chances de se unir com Requião do que com Alvaro. O ex-governador José Richa, pai de Beto, tem rusgas com Alvaro desde que o hoje pedetista o sucedeu no governo estadual, em 1990. A animosidade se acentuou há cinco anos, quando Jaime Lerner (PFL) quis entrar no PSDB, com o respaldo de Richa, mas foi barrado por Alvaro, que tinha o comando da legenda no Paraná.
Hipoteticamente, parte do PSDB poderia migrar para o palanque do PMDB num eventual segundo turno. A aproximação chegou a ser ensaiada antes mesmo do início da campanha. No final de junho, Beto declarou que estaria disposto a sentar para conversar com Requião. O senador conversou também na mesma época com outra liderança de peso dentro do PSDB, o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão.
O PSDB esperava o apoio do PPB de José Janene, que acabou optando pelo palanque de Alvaro. A perda inesperada do apoio dos pepebistas abriu espaço para negociações entre tucanos e peemedebistas. Apesar de as costuras não terem progredido, os adversários mantiveram a política da boa vizinhança.
O candidato do PPS, deputado federal Rubens Bueno, tem mais chance de emprestar apoio a Requião do que a Alvaro, mesmo tendo se estranhado com o peemedebista em recente debate do SBT. A briga de Bueno com Alvaro é antiga. Eles romperam quando Bueno, que chegou a ser secretário no governo Alvaro, defendeu a entrada de Lerner no PSDB.
Apesar de preferir trabalhar com a hipótese de chegar ao segundo turno, o candidato pelo PSC, o ex-secretário da Fazenda Giovani Gionédis, tenderia, nos bastidores, para o palanque de Requião.
O PFL de Lerner, que compõe a aliança em torno de Beto, poderia acabar dividindo-se entre Alvaro e Requião, ou omitir-se. Já o nanico PTC deve engrossar a lista de apoio de Alvaro. O PTC tentou, sem sucesso, impugnar as candidaturas dos peemedebistas Requião e Paulo Pimentel (candidato ao Senado).

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