Começa a briga pela publicidade do governo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de julho de 2003
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As agências de publicidade já se preparam para enviar suas propostas para a nova licitação realizada pelo governo estadual para escolher as empresas que serão responsáveis pela publicidade oficial do Estado. O governo foi obrigado a cancelar o edital de licitação anterior, publicado no dia 22 de maio, após o ex-secretário estadual de Governo de Jaime Lerner (PFL) José Cid Campêlo Filho ter obtido uma liminar na Justiça anulando o processo, por considerar que ele não obedecia à Lei de Licitações.
Uma das mudanças do edital foi a redução do número de agências contratadas de 12 para dez. Apesar do ponto não ter sido questionado na Justiça, o presidente da Comissão de Licitação, Júlio Boeng, já havia assinalado com essa possibilidade anteriormente, e o mercado publicitário não chegou a se surpreender com a notícia. ''Para o orçamento previsto para este ano (R$ 43,5 milhões), é um bom número. No governo anterior, gastava-se mais com publicidade e apenas seis agências eram contempladas. O mercado já esperava uma concorrência acirrada, e as propostas que haviam sido feitas no edital anterior não devem ser substancialmente alteradas por essa redução'', acredita o sócio-diretor da Opus Múltipla Comunicações, José Dionísio Rodrigues.
Mas a principal mudança no projeto foi a alteração na maneira que as verbas oficiais serão distribuídas entre as agências vencedoras. Um dos argumentos de Campêlo para anular o edital anterior foi o de que o documento não especificava qual das agências seria responsável por cada fração da verba prevista no orçamento.
As regras para o novo edital prevêem que haja uma classificação por pontos de acordo com a proposta apresentada por cada agência. A pontuação será distribuída pelos seguintes critérios: 70% dos pontos pela proposta técnica e 30% pelo preço mais vantajoso. Dessa forma, a agência melhor colocada será responsável pelas campanhas publicitárias mais rentáveis, e assim sucessivamente até a décima agência.
O diretor de planejamento da Exclam Comunicação, Mauro Moreira de Souza, classificou a nova regra do edital como ''inteligente''. ''Nos outros governos, cada lote da publicidade oficial tinha uma licitação específica. Com o rankeamento das agências por pontos, a situação fica mais favorável para o governo. Afinal, todas as agências vão montar uma proposta para atingir a primeira colocação, apresentando vantagens e preços competitivos para pegar as campanhas mais vultosas. Porém, se a agência acabar ficando em 10º lugar, ela também terá que cumprir a proposta que fez, mesmo que receba uma campanha menor. Quem sai ganhando é o governo'', comentou Mauro de Souza.
O diretor também analisou o fato do governo ter anunciado que a verba total a ser gasta este ano pode não atingir os R$ 43,5 milhões previstos, dependendo da quantia de recursos disponíveis. ''Acho que esse é um sinal para que muitas rádios e jornais do Interior que dependiam exclusivamente das verbas do governo abram o olho. O governo sinaliza que vai dar prioridade mais a critérios técnicos para divulgar suas ações do que políticos. Aquela festa de distribuir R$ 54 milhões em um ano entre veículos com pouca repercussão deve acabar'', acredita. No dia 18 de maio, a Folha publicou matéria mostrando que a maior parte dos recursos de publicidade no rádio do último ano do governo Lerner foi destinado a emissoras de propriedade de políticos ou ligadas a eles.


