Combate à fome custará perto de R$ 6 bi anuais
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terça-feira, 29 de outubro de 2002
Fábio Portela<BR>Agência Folha 
São Paulo O custo anual do programa de erradicação da fome anunciado pelo presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deve se aproximar de R$ 6 bilhões por ano, segundo contas feitas por assessores do petista.
José Graziano da Silva, coordenador da campanha de Lula e criador do ``Projeto Fome Zero`, disse que será necessário reordenar os gastos do governo federal para viabilizar a implementação das ações sociais previstas.
``O Fundo de Combate à Pobreza conta hoje com cerca de R$ 4 bilhões, portanto será necessário negociar o Orçamento que será votado neste ano pelo Congresso para encontrar mais recursos``, afirmou Graziano.
Ele explicou que o governo Lula não deve retirar verbas de projetos sociais que já estão funcionando, como o Bolsa-Escola: ``Há muitos projetos pequenos consumindo dinheiro, nossa idéia é centralizar essas ações``.
De acordo Graziano, o principal foco da ação de combate à fome do próximo governo será a região Nordeste. ``A seca e a fome são questões recorrentes nos Estados Nordestinos, por isso vamos concentrar lá as nossas ações``. A idéia do governo não é distribuir comida, mas sim ``cupons de alimentação` que a população poderá usar como se fossem ``vales-refeição` para comprar alimentos nas lojas e mercados locais.
``Desta forma, acreditamos que vamos movimentar também a economia dessas regiões. Será um estímulo para que as populações locais produzam alimentos para venda, recriando a economia e gerando renda``, ressaltou Graziano. O assessor petista disse estar aliviado pelo fato de o combate à fome finalmente entrar na agenda do governo federal: ``É incompatível entrarmos na modernidade com fome. Isso é inaceitável``.
Graziano é professor de ciências agrárias da Universidade de Campinas (Unicamp) e está sendo cotado para ser o ministro que coordenará o programa de combate à fome do futuro governo petista.


