São Paulo- O comando do PT decidiu adotar outra estratégia para conter a fúria dos radicais em relação à política econômica: realizará debates com a bancada federal e filiados sobre a reforma da Previdência. A nova tática foi acertada com o Palácio do Planalto depois de muitas trapalhadas. Nos bastidores, a avaliação é de que tanto o governo como a direção do partido erraram ao tentar enquadrar publicamente os rebeldes porque a crise tomou proporções maiores do que o fato.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a cúpula petista estão convencidos de que parlamentares de alas xiitas só resolveram aparecer na plenária dos servidores federais e no ato de lançamento da campanha salarial da categoria por causa dos holofotes. Nos dois lugares, reforçaram as críticas ao governo. Na prática, porém, os radicais petistas fazem barulho no Congresso, mas pouco apitam no PT, como disse na campanha o economista Guido Mantega, hoje ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão.
Além disso, um racha não interessa nem a eles, que têm cargos no governo, nem ao grupo moderado, com hegemonia na legenda e na equipe de Lula. Dos 92 deputados do PT, 26 são das facções de ''esquerda''. No Senado, as tendências desse espectro ideológico emplacaram apenas dois dos 14 parlamentares da sigla.
''O PT é como uma família italiana: a gente briga, discute, xinga, mas depois fica tudo bem'', compara o deputado Nélson Pellegrino (BA), líder da bancada petista na Câmara, um integrante da radical Força Socialista.
Bola de neve - O fim da contenda verborrágica, no entanto, nem sempre é tão feliz como diz Pellegrino. ''Estou decepcionada com o início do governo Lula'', confessa a deputada Luciana Genro (PT-RS), do Movimento por uma Esquerda Socialista e filha do ministro de Desenvolvimento Econômico e Social, Tarso Genro.

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