Comando do DEM promete radicalizar no Congresso
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Christiane Samarco<BR>Agência Estado 
Brasília - A decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, que suspendeu a cassação do mandato do prefeito da capital, Gilberto Kassab, até o julgamento final do processo por suposto recebimento de doação ilegal, não acalmou o DEM. Certa de que este fato não pode ser lido isoladamente, porque o PT ''jurou de morte os democratas'', a cúpula do DEM pretende dar o troco, abrindo guerra contra o governo no Congresso. ''Não se vota mais nada por acordo, porque não dá para negociar com quem nos jurou de morte'', afirma o líder na Câmara, Paulo Bornhausen (DEM-SC).
A reação do DEM pode dificultar votações de propostas de interesse do governo e dos petistas, empenhados em alavancar a candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. ''Por que vamos aprovar os projetos do pré-sal?'', indaga Bornhausen, que já está articulando a obstrução com o PSDB.
''Se querem radicalização, vamos entregar o produto, e que aprovem o que quiserem com os votos deles; não com os nossos'', propõe Bornhausen. ''A Câmara pode ser usada como instrumento eleitoral contra o nosso partido, e isto nós não vamos permitir'', concorda o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ).
O líder acusa o PT de mobilizar ''células autônomas para destruir a oposição'' e de fazer uma ''pajelança'' com o mesmo objetivo, durante o Congresso do partido no fim de semana. ''Nos tiraram da categoria de adversários, para inimigos. Isto é prática stalinista de quem não quer adversário na eleição'', diz Bornhausen.
Rodrigo Maia lembra que o discurso dos petistas no Congresso partidário no último fim de semana remeteu a uma frase do ex-presidente do partido Jorge Bornhausen em 2006 - ''a gente vai se ver livre dessa raça por pelo menos uns 30 anos''. Diz que o PT tentou atualizar a frase antes qualificada como preconceituosa, na base do ''tentaram acabar com nossa raça, agora vamos acabar com a raça deles''.
Depois disso, conclui Maia, ''ficou claro que o ambiente é de confronto e requer toda atenção porque tomaram o caminho de nos ter como inimigos''. O DEM faz questão de passar recibo, por puro pragmatismo. A cúpula do partido está convencida de que a oportunidade de o partido crescer é agora. ''Oposição cresce em período eleitoral e o PT é a prova disso. Vão ter que nos aturar'', encerra Bornhausen.


