Comando da reeleição gerou o conflito
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quinta-feira, 24 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
A crise na base de sustentação política do governo foi provocada pelas críticas do ministro Sérgio Motta (das Comunicações) a colegas de ministério e aliados no Congresso, mas o que agravou o episódio foi uma disputa de poder que não saiu dos bastidores. O que estava em jogo era o comando da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição, resumiu um colaborador do próprio presidente.
O presidente percebeu que cortar a cabeça do Serjão significaria descartar o PSDB e entregar a campanha da reeleição ao PFL, observou o interlocutor palaciano. Os amigos de Fernando Henrique avaliam que a cúpula do PSDB errou ao se movimentar em defesa do ministro, mas salientam que o líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), também jogou mal. Colaboradores do Planalto insistem na tese de que o presidente foi hábil o bastante para contornar a crise sem perder nenhum colaborador.
O almoço de homenagem que a cúpula do PSDB ofereceu ao ministro Motta na terça-feira não irritou apenas os aliados do PFL, PMDB e PPB. Como é que o PSDB me faz uma dessas, eu espremo o Sérgio Motta e o partido vai lá festejar?, cobrou o presidente Fernando Henrique, segundo um de seus auxiliares diretos. Ninguém consultou a bancada sobre o almoço, protestou a deputada Zulaiê Cobra Ribeiro (PSDB-SP), ao revelar que os tucanos estão abatidos e revoltados por ter de pagar a conta toda vez que o ministro critica alguém.
Decidida a permanência de Luís Eduardo no comando da liderança do governo e a manutenção de Motta à frente do ministério das Comunicações, tucanos e pefelistas concordavam ontem em um ponto: o episódio foi ruim para o presidente, que teve sua autoridade questionada, mas enfraqueceu também Luís Eduardo, que ameaçou entregar o cargo de líder e acabou recuando.
Mas o pefelista deu seu recado ao governo: Se o ministro falar outra vez, não preciso ir ao Palácio; entrego o cargo da tribuna da Câmara. Ontem, ele deu a demonstração incontestável de que a crise está resolvida. Além de elogiar o desempenho do ministro Motta nas comunicações e reconhecer sua importância como interlocutor do PFL junto ao PSDB, Luís Eduardo discursou como líder do governo no encerramento da convocação extraordinária.
Toda vez que eu considerar que a união da base do governo está em risco, me manifestarei porque os líderes aliados são os responsáveis pelo sucesso do governo no Congresso, disse. Dá para recompor a base com uma cola bem forte para juntar os cacos, mas ainda há muitas feridas a serem cicatrizadas, analisou o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE). Apesar de considerarem a crise superada, os líderes aliados consideraram providenciais os dez dias de recesso branco do Congresso até a próxima votação das reformas constitucionais.
Tudo tranquilo, céu de brigadeiro. Foi assim que o presidente Fernando Henrique Cardoso definiu o dia ontem, depois de uma quarta-feira agitada pela crise política. O presidente aproveitou as cerimônias realizadas no Palácio do Planalto para agradecer o apoio do Congresso na votação de matérias importantes durante a convocação extraordinária, que termina hoje. Esta manhã pode ser classificada como manhã de otimismo, já havia dito antes FHC.
Céu de brigadeiro e mar de almirante, acrescentou o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, depois da solenidade, no Planalto, de entrega do Prêmio Jovem Cientista. Para o senador, o discurso de ontem do presidente Fernando Henrique para reverter a crise provocada por Motta.


