O Comando-Geral da Polícia Militar enviou carta ao governador Beto Richa (PSDB) em repúdio às declarações do secretário de Segurança Pública do Paraná (Sesp), Fernando Francischini, que responsabilizou os policiais militares pela ação truculenta no Centro Cívico, na semana passada, que terminou com mais de 200 feridos, entre eles, professores e servidores. O manifesto foi assinado na última terça-feira pelo comandante-geral César Vinícius Kogut e mais 15 coronéis.
No documento, o Comando argumenta que apenas a Polícia Militar "única e tão-somente" foi responsabilizada pela ação que impediu a entrada dos manifestantes na Assembleia Legislativa durante as discussões da Paranaprevidência. A PM defende que cumpriu o seu papel "no intuito de garantir a ordem pública e impedir uma possível invasão à Assembleia Legislativa" em atendimento "ao interdito proibitório expedido pela Justiça".
"O senhor secretário de Segurança Pública foi alertado inúmeras vezes pelo comando da tropa empregada e pelo comandante-geral sobre os possíveis desdobramentos durante a ação e que, mesmo sendo utilizadas as técnicas internacionalmente reconhecidas como as indicadas para a situação, pessoas poderiam sofrer ferimentos, como realmente ocorreu, tendo sido vítimas manifestantes e policiais militares empregados na operação", acrescenta a carta.
O Comando ainda afirma que as ações foram tomadas conforme o Plano de Operações que foi elaborado com aprovação do "escalão superior" da Secretaria de Segurança Pública, inclusive com a participação de Francischini em "diversas fases do planejamento". "O que não se pode admitir em respeito à tradição da Polícia Militar do Paraná, seus oficiais e praças, que seja atribuída a tão nobre corporação a pecha de irresponsável ou leviana, por não ter sido realizado um planejamento, ou mesmo que tenha sido negligente durante a operação", rebate a PM.
A polícia ainda confirma a abertura de inquérito para apuração "dos possíveis excessos" para responsabilização dos envolvidos. A FOLHA procurou a PM para comentar a repercussão da carta assinada pelos coronéis, mas o órgão não se manifestou até o fechamento desta edição.

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