O comandante da Polícia Militar do Paraná, coronel Hudson Leôncio Teixeira, disse nesta terça-feira (1) que pretende liberar todas as rodovias do estado nesta quarta (2), apesar da determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para a desobstrução imediata. No início desta noite, havia 43 pontos interditados nas rodovias estaduais e 14 nas federais. Segundo Teixeira, a PM optou por negociar com os manifestantes. Até o início da noite, ninguém havia sido preso.

A operação conjunta entre a PM e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) começou às 5 horas da manhã desta terça. No final da tarde, 27 pontos haviam sido liberados nas rodovias estaduais e 64 nas federais, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública. “Equipes estão nos locais fazendo uma negociação com essas pessoas. Desde ontem (segunda), conseguimos a liberação parcial em alguns pontos, para que alimentos, viaturas e cargas vivas pudessem passar”. Segundo ele, há cerca de 60 equipes de negociação no estado.

A expectativa é liberar todos os pontos nesta quarta-feira, sem uso de força. “Toda ação da polícia é precedida pela mediação. A ação de choque é precedida pela negociação”, disse o comandante da PM. “Seria muito tranquilo, com o uso escalonado da força, desobstruir as vias, mas não queremos enfrentamento”.

Segundo Teixeira, em todos os pontos os manifestantes apontados como líderes estão sendo identificados, mas não houve prisões. “Foi feito um boletim de ocorrência. Mesmo acatando a ordem policial, essas pessoas foram identificadas. Isso vai ser encaminhado para a Justiça”, disse. “Está acontecendo que várias pessoas são orientadas e vão para outro ponto". Multas de trânsito foram aplicadas, mas o comandante da PM não soube precisar quantas. A região Oeste é a mais crítica, com bloqueios nas regiões de Cascavel, Toledo e Foz do Iguaçu.

"Desde ontem (segunda) conseguimos a liberação parcial de alguns pontos de alguns tipos de veículos de emergência: ambulâncias e viaturas, veículos com alimentos perecíveis, veículos com carga viva, entre outros. A operação ainda está em andamento. Teremos uma reunião com a PRF para tratarmos a forma e a estratégia com a qual vamos agir de hoje até o feriado de amanhã.", afirmou o comandante Teixeira.

Segundo o coronel da PM Paulo Henrique Semmer, a situação não é tão fácil de resolver como na greve dos caminhoneiros de 2018. “Naquela época tínhamos basicamente um movimento liderado por alguns sindicatos e agora a organização é um pouco maior. É a população da cidade que está vindo para a rodovia, sentando na via. A mesma população se desloca quando surge a viatura e retorna quando a viatura sai do local. Em várias cidades do Estado isso tem acontecido, todas em cidades menores. Em Palmeira e União da Vitória, por exemplo, há mil pessoas da cidade que não são caminhoneiros e que participam do movimento, e prender mil pessoas em uma cidade desse porte não é fácil, mas eventualmente vamos prender.”

Reações

O Ministério Público do Paraná (MPPR) enviou nesta terça um ofício ao governador Ratinho Junior (PSD) cobrando a adoção de providências imediatas. O documento foi elaborado pelo comitê de crise, instalado pelo órgão, para acompanhar a ocupação das rodovias. “O MPPR, cumprindo com suas missões constitucionais, está realizando o monitoramento permanente e de forma intransigente das medidas adotadas pelas autoridades competentes para a preservação do regime democrático, da paz e da ordem social”, disse o procurador-geral de Justiça, Gilberto Giacoia.

O líder da oposição ao governo estadual na Assembleia Legislativa, deputado Arilson Chiorato (PT), voltou a cobrar nesta terça a desobstrução das rodovias. “O Paraná é o segundo estado com o maior número de bloqueios nas estradas. Cobramos medidas do governador e o governo defendeu o direito à livre circulação. A PM precisa intervir nos bloqueios que restam e os manifestantes respeitarem a democracia”, afirmou.

Chiorato também comentou o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, feito nesta tarde. "Não há novidades no pronunciamento de Bolsonaro. Em dois minutos de fala, atacou os adversários, não reconheceu nem a vitória de Lula e nem o processo democrático. Não teve postura de Presidente da República, mas isso ele nunca teve. Acreditamos agora que a transição do governo acontecerá de forma pacífica, como apontou o Ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira”. (Colaborou Vitor Ogawa/Reportagem Local)

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