Com saída certa do PFL, ACM pode ir para o PP
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quarta-feira, 15 de setembro de 2004
Christiane Samarco<br>Agência Estado 
Brasília - Aliados e adversários do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) já não têm mais dúvidas que sua relação com o PFL é irreconciliável e sua permanência na legenda é uma questão de tempo. A aposta mais forte é de que o senador baiano e seu grupo desembarquem no PP ainda este ano. Com isso, Antônio Carlos cria o cenário perfeito para cumprir seu objetivo, que é a criação de uma relação estável com o governo federal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, revitalizando seu poder político regional.
A eventual mudança de ACM para o PP não ocorrerá apenas pelo fato de o senador ser minoritário na executiva nacional pefelista encarregada de julgar seu pedido de expulsão por desobedecer a orientação partidária de fazer oposição ao governo federal. Além de o PP baiano ser um espaço aberto a ele e seu grupo, pesa sobretudo o fato de o atual presidente do partido, deputado Pedro Corrêa (PE), estar enfraquecido por denúncias de envolvimento em contrabando, da CPI da pirataria.
Como a liderança de seu desafeto pepista e candidato a prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, também está em baixa, ACM teria condições de chegar na nova legenda com status de chefe político, e mais: como o PP está na base do Planalto, o reforço de seu grupo lhe daria cacife para negociar o ministério que o partido vem reivindicando sem sucesso.
ACM e Bornhausen vivem às turras dentro do PFL desde meados do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A diferença, agora, é que o partido não está mais na base do governo e, portanto, não faz mais tanta questão de manter seu tamanho, com ACM e seu grupo, para garantir mais espaço na partilha dos cargos e das benesses do poder. Uma vez na oposição ao Planalto, dizem os dirigentes e líderes do partido, mais importante que o número de deputados e senadores é a unidade do discurso.
O confronto ostensivo entre os dois grupos tornou-se público e atingiu a temperatura mais alta há cerca de um ano, quando o baiano insinuou que a direção pefelista usava irregularmente os recursos do fundo partidário. Acabou tendo que se retratar, para fugir do processo de expulsão pedido por Bornhausen. Mas o pedido de expulsão não foi um ''repente'' do catarinense de sangue frio, tratado no partido de ''Alemão''. O presidente do PFL aproveitou a ''ofensa'' para medir forças com o desafeto dentro da executiva nacional porque tem a segurança da maioria folgada dos 31 votos. A contabilidade feita na ponta do lápis por partidários de Bornhausen dá conta de que a proporção é de 2 votos por um em favor de ACM.
Bombeiros do PFL ligados aos dois senadores saíram a campo para reduzir a temperatura da crise e garantir que o desfecho só ocorra depois das eleições municipais. ''Estamos fazendo um movimento para tirar a conotação pessoal desta questão para que depois das eleições possamos definir o que realmente importa: se o PFL fica na oposição ou não'', explicou o senador José Jorge (PFL-PE), ligado ao presidente do partido. ''Eu acho que o grupo majoritário deseja ficar na oposição'', completou.
''O problema é que a corda está esticada demais e já faz tempo. Acho difícil segurar'', avaliou o deputado Paulo Magalhães (PFL-BA), sobrinho de ACM, que passou o dia recolhendo assinaturas de pefelistas para um manifesto de apoio ao tio, cujo texto foi mantido em segredo. ''Isso (o manifesto) não é para agora; vamos guardar para o momento certo'', contou o deputado.


