"Os fatos que aconteceram me impedem de falar", declarou Luiz Antonio Souza, sobre o fato de o advogado dativo que o acompanhava não conhecer o processo
"Os fatos que aconteceram me impedem de falar", declarou Luiz Antonio Souza, sobre o fato de o advogado dativo que o acompanhava não conhecer o processo | Foto: Marcos Zanutto/7-3-2016



O principal delator da Operação Publicano, o auditor Luiz Antonio de Souza, manteve-se em silêncio ontem em interrogatório no processo relativo à terceira fase da operação, que apura a existência de um esquema de corrupção e sonegação final comandado por auditores da Receita Estadual de Londrina. Foi o primeiro interrogatório dele desde maio, quando teve o acordo de delação premiada rescindido em razão da prática de novos delitos (apurados na quinta fase da Operação Publicano) e perdeu os benefícios, como deixar a prisão em 30 de junho deste ano.
Ao juiz Juliano Nanuncio, titular dos processos da Publicano, o auditor, que está preso há um ano e nove meses, desde que foi flagrado com uma adolescente em um motel, disse que as circunstâncias o levaram a manter o silêncio: estava desacompanhado do advogado Eduardo Duarte Ferreira; que o advogado dativo "não conhece o processo"; e que, com os bens bloqueados, não pôde contratar outro advogado. "Os fatos que aconteceram me impedem de falar", declarou o auditor. Ferreira não pode se aproximar de Souza em razão de medida judicial decorrente da Publicano 5, da qual o advogado também é réu na acusação de extorsão de empresários do setor de abate de suínos.
Nanuncio explicou ao auditor que os procedimentos previstos em lei foram rigorosamente seguidos: com a proibição de Ferreira de atuar no caso, ele, Souza, foi intimado para contratar outro advogado. E, para quem não tem dinheiro, o juiz deve nomear um defensor dativo. "Não há nenhuma irregularidade no precedimento", afirmou o magistrado ao réu. Desde que começaram as audiências da Publicano 3, há duas semanas, o advogado dativo Fernando Pelloso tem acompanhado Souza.
A Publicano 3, ao contrário dos outros cinco processos relativos a fraudes na Receita Estadual, não apura denúncias de corrupção, mas crimes de lavagem de dinheiro pelo auditor José Luiz Favoreto Pereira, ex-delegado da Receita de Londrina e também investigado por crimes sexuais. Segundo a acusação, com a ajuda de outros réus e de Souza, Favoreto teria tentado ocultar a origem ilícita de patrimônio milionário, oriundo de propinas pagas por empresários sonegadores de impostos.
Para o advogado de Favoreto, Walter Bittar, o silêncio de Souza "vai enfraquecer a teoria da acusação", já que se trata do principal delator do caso. "Ele é o supedâneo principal de tudo o que o Ministério Público produziu até agora."
O promotor Jorge Barreto da Costa, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em sentido contrário, acredita que a comprovação dos fatos não depende apenas da delação de Souza, já que há documentos que confirmam a tese de lavagem de dinheiro. Além disso, afirmou Costa, houve rescisão dos benefícios da delação, mas tudo o que foi dito continua valendo. "Aquilo que ele contou até hoje permanece valendo".
Diante da recusa de Souza em falar, a audiência foi encerrada. Os interrogatórios dos outros réus que moram em Londrina estão marcados para semana que vem, entre os dias 17 e 19. Favoreto será interrogado no último dia.

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