Imagem ilustrativa da imagem Com presença de grevistas, AL faz última sessão do semestre
| Foto: Dálie Felberg /Alep

Curitiba - Com as galerias até então ocupadas por servidores públicos em greve, os deputados estaduais fizeram nessa quarta-feira (10) a última sessão do semestre na AL (Assembleia Legislativa) do Paraná. Os parlamentares voltam a se reunir em plenário no dia 5 de agosto, quando um projeto de reposição salarial do funcionalismo modificado deverá ser colocado em votação.

Nas próximas semanas, os membros do Legislativo se comprometem a intermediar as negociações que, garantem, avançaram, com o governo Ratinho Junior (PSD). "Não há mais nenhuma pauta relevante para ser votada, principalmente do próprio governo. Queremos também aproveitar esse tempo para trabalhar no sentido de resolver esse impasse", disse o presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB). O regimento interno previa plenárias até 17 de julho.

Cerca de 400 trabalhadores dormiram nas dependências da AL, segundo a APP-Sindicato, que representa os professores. Reunidos desde a tarde de terça-feira (9), eles pressionam o governador para que pague a data-base. Ao término da sessão, os servidores saíram em marcha até as proximidades do Palácio Iguaçu, onde pretendiam ficar acampados, sob os gritos de "data-base já" e "a greve continua" (leia mais na página 6).

Os vencimentos das diferentes categorias estão "congelados" desde 2016. A entidade informa que duas reuniões aconteceram com equipes do Executivo para tratar da greve no dia 9, mas em nenhuma houve avanço.

Traiano marcou mais um encontro na sala da Presidência para depois da sessão dessa quarta. "Não vou afirmar aqui que será resolvido hoje [quarta], mas o desejo é buscar uma solução (...) Eu me reuni com alguns líderes, diretores de escola, que fizeram apelo. O peso do poder é fundamental. O movimento exige que haja compromisso da própria Assembleia em votar nos percentuais que estão sendo negociados", contou.

PROPOSTA

De acordo com o líder da situação, Hussein Bakri (PSD), algumas questões da pauta de reivindicações já avançaram. "É possível fazer uma proposta nos seguintes termos: 2% em janeiro e o restante das demais parcelas [chegando a 4,94%] nos anos subsequentes. É sempre bom lembrar que estamos tratando especificamente da data-base de 2019. O governo entende que está descongelando um processo que vinha há quatro anos", argumentou.

Para o líder do PT, Professor Lemos, há condições de avançar. "A pauta começa com a data-base. Temos o PLC (Projeto de Lei Complementar) 04, que trata da carreira do servidor, a ser retirado, demissões de diretores - queremos as regras em lei -, contratos de PSS (temporários), que não se mexa, jornadas de pedagogos e outros pontos específicos de cada categoria. Não ter punição para nenhum servidor em greve, nem falta, também é legal e constitucional", afirmou.

OCUPAÇÃO

Por conta da ocupação dos servidores nas galerias, a segurança na Assembleia foi reforçada. Policiais se concentraram nos corredores do prédio e bloquearam alguns acessos. Não houve, contudo, qualquer registro de confusão. O líder da oposição, Tadeu Veneri (PT), pediu que a Casa fizesse uma vistoria logo após a saída dos servidores, como forma de atestar que nada foi danificado.

"Nos dias 10 e 12 de fevereiro de 2015 eu estive aqui [durante a ocupação] e não foi quebrado um único vidro ou retirado microfone. Entretanto, disseram que foi e que houve bagunça. Então, para que não haja problema, eu sugiro isso. As pessoas que estão aqui são responsáveis e sabem muito bem o que fazem", opinou o petista.

Traiano disse que atenderia à recomendação. Ele e o primeiro secretário da AL, Luiz Cláudio Romanelli (PSB), foram às galerias conversar com os trabalhadores antes da plenária começar. O tucano falou que o diálogo está aberto e reforçou que não condena a manifestação. "O que eu condeno são os excessos, a radicalização. Ontem [terça], tivemos uma sessão desagradável em função do comportamento de alguns, que acabaram tumultuando", comentou.

"Tivemos também posicionamentos radicais de deputado, reconheço isso, mas não é esse o objetivo", ponderou o presidente. O deputado Ricardo Arruda (PSL), que na sessão anterior havia feito um discurso inflamado contra o reajuste, porém, não compareceu nessa quarta à votação.

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