Com o dia raiando, pedestres e ciclistas retomam a rotina
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de maio de 2001
De Londrina 
Antes de raiar o dia, os pedestres e os ciclistas retomam a rotina do ganha-pão. Como todos as manhãs, ignoram os que não podem ver. Mesmo sabendo que o ex-prefeito e seu secretário se mudaram para o local, o desinteresse prevalece. O Belinati tá aí? Coitado. Não deveriam ter feito isso!, afirma a auxiliar de enfermagem Geni de Oliveira Vinhas, de 30 anos, desmerecendo o casarão. Roubar, todo mundo rouba. O importante é fazer alguma coisa pelos pobres, como ele, concorda a atendente Maura Rosa, de 55 anos.
A vida aí não é fácil, mas ele tem que devolver tudo, senão, não adianta nada, ponderou o porteiro Ari Gelinski, de 41 anos. Votei nele sim. E me arrependo. Se ele está aí é porque merece. Agora, quero que ele devolva o dinheiro, pediu Nilson Neves, um operário de 25 anos.
Um dos últimos a passar é um velho morador da Vila Santa Terezinha, que não quis se identificar. Ele teme que Belinati e Mandelli não permaneçam entre os discriminados moradores do bairro. Lá dentro eles cavaram um túnel há muito tempo que dá lá na baixada, no (Conjunto) Pindorama. Se ele quiser, saí daí e ninguém percebe.
Já de manhã, às 7 horas, uma picape da Vigilância Sanitária desinfeta o local borrifando veneno contra o mosquito da dengue, outra mazela que preocupa o País e mais ainda a cidade. As ruas estão absolutamente vazias e um cachorro enorme, sem dono, tosse com o ar carregado. O casarão, cuja placa identifica como 2º Distrito Policial, segue fechado e silencioso. Visita de amigos e familiares, apenas na tarde de terça-feira. (L.F.M.) (O repórter Lúcio Flávio Moura e o repórter-fotográfico Paulo Wolfang passaram a noite de sexta-feira para sábado de plantão no 2º DP).


