Com medo de Requião, governistas já pensam em trocar de partido
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de novembro de 2002
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Deputados que deram sustentação política ao governo Jaime Lerner (PFL) nos últimos oito anos e que, no segundo das eleições deste ano, optaram por apoiar a candidatura do governador eleito, Roberto Requião (PMDB), adversário do governador, ensaiam com discrição trocas partidárias. As mudanças de sigla ainda são incipientes e tendem a se acentuar com a proximidade da disputa que vai definir, em fevereiro do ano que vem, a nova mesa executiva da Assembléia Legislativa.
Para os parlamentares que têm vocação governista, independente de quem está no poder, PMDB, PT, PPS e PL partidos que elegeram Requião em 27 de outubro passaram a ser opções interessantes. Para definir futuro político, primeiro, entretanto, é bom saber como ficará o jogo de forças dentro do Poder Legislativo. É isso que está balizando boa parte dos parlamentares, que não falam abertamente do assunto, para não atrapalhar as negociações.
Outros já resolveram assumir o desconforto que será fazer oposição. Corre nos bastidores, por exemplo, que o deputado estadual Nelson Justus (PFL), ex-secretário dos Transportes de Lerner e ex-presidente da Assembléia, já sinalizou disposição em assinar ficha no PMDB. A informação, não tratada oficialmente, vazou de peemedebistas que estão trabalhando para engordar o partido, formando assim uma bancada forte, indispensável para garantir a governabilidade a partir de janeiro de 2003.
O deputado eleito Vanderlei Iensen (PDT), irmão do ex-delegado regional do Trabalho no Paraná João Iensen (PPB), também teria acenado com a possibilidade de mudança para o PMDB. O PDT de Iensen tinha Alvaro Dias como candidato ao governo. Outro governista histórico que namora com o PMDB é Rafael Greca (PFL). Greca assume cadeira na Assembléia a partir do ano que vem. No processo eleitoral deste ano mudou de lado, depois de ter sido podado dentro do PFL, que lhe negou o direito de concorrer ao governo do Paraná.
Greca teve ainda uma aproximação política com o PPS, outro aliado do PMDB, o que acabou não prosperando. O trabalho para atração de aliados, comandado pelo PMDB, será grande. Greca tem muito a pesar. Até 2004, ano das eleições municipais, tem tudo para se tornar a principal liderança do PFL. Em 2004, termina o mandato do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL) e o sonho de Greca é sucedê-lo na prefeitura. Neste período, Lerner, a outra estrela pefelista, deve permanecer apagado, dedicando-se ao projeto de comandar uma organização internacional de arquitetos, com sede em Paris.
O líder do PMDB na Assembléia, deputado Nereu Moura, não revela os nomes dos prováveis novos aliados. Diz que não quer criar constrangimentos. Tem a tese de que as acomodações partidárias acontecerão mais próximas à metade do próximo ano. Moura não tem dúvidas que as bancadas do PMDB, PPS e PL vão crescer. Mas avisa, no entanto, que seu partido fixou alguns critérios para aceitar filiados, até para a sigla não ficar descaracterizada.
Os interessados em ingressar na nova base governista não podem atrapalhar os redutos eleitorais de aliados de Requião nem ''ter enrosco na Justiça'', segundo Moura. A meta do PMDB de Requião é costurar uma base de sustentação entre 35 e 38 dos 54 parlamentares. Por enquanto, existe um bloco de 22.
Outras possibilidades de mudança partidária podem não refletir em apoio a Requião, necessariamente. O deputado Miltinho Puppio, hoje alojado no PPB, estaria disposto a voltar ao PSC, partido do qual quase foi expulso por ter votado a favor da privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel), no ano passado. O PSC, comandado no Estado pelo ex-secretário de Fazenda Giovani Gionédis, ainda não definiu se vai integrar a base de Requião.


