BRASÍLIA - A reforma administrativa foi atingida pela crise em que mergulhou o governo após a denúncia de compra de votos de deputados pró-reeleição. Num clima de incerteza e com suas bancadas dispersas, os líderes governistas decidiram paralisar a reforma por 15 dias. O anúncio do adiamento da votação da emenda aconteceu menos de 24 horas após os líderes prometerem votar a quebra da estabilidade e encerrar a qualquer custo a avaliação em primeiro turno.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), quer fazer um esforço concentrado nos dias 3, 4 e 5 de junho para concluir as votações. ‘‘É um tempo bom para se fazer uma diástole’’, afirmou o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), médico, e um dos que defenderam a suspensão da reforma. Diástole é um termo usado para explicar o movimento de dilatação do coração, depois da fase de contração. Mais uma vez, os governistas não conseguiram reunir a maioria de três quintos no plenário para aprovar seus destaques.
Os líderes governistas haviam deixado a Câmara na noite de terça-feira com alguma esperança de um acordo com a oposição em torno da quebra da estabilidade. Ontem pela manhã a renúncia dos deputados Ronivon Santiago e João Maia, ambos já expulsos do PFL-AC, estragou tudo. O presidente Michel Temer chamou os líderes da oposição para uma conversa ao meio-dia e ouviu deles que, com a renúncia, aumentava a necessidade de uma CPI da Reeleição e a reforma administrativa não era prioridade. ‘‘Não dá para ignorar este escândalo e tratar de reforma como se toda essa crise estivesse ocorrendo na Bolívia’’, disse o deputado Marcelo Deda (PT-SE).
Os líderes governistas voltaram do almoço com as oposições desanimados. ‘‘Não há quórum’’, alegou o líder do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA). ‘‘Numa matéria dessa importância - a estabilidade - não podemos votar com menos de 480, 490 deputados no plenário.’’ O quórum máximo, que na terça-feira foi de 428 deputados, ontem chegou a 450. Na próxima semana o Congresso vai ficar vazio. O presidente Michel Temer viaja quarta-feira para Madrid (Espanha) e provavelmente não haverá painel de votação durante os dias que antecedem o feriado de Corpus-Christi.
‘‘Daqui a 15 dias, a base estará normalizada, já estará aprovada a reeleição no Senado e os líderes poderão verificar todas as dissidências aos pontos da reforma administrativa’’, avaliou Inocêncio Oliveira. Nessa data o governo quer colocar novamente em pauta temas importantes como a quebra da estabilidade do funcionalismo, a paridade entre servidores ativos e inativos, o contrato de gestão para a administração direta e o subteto salarial nas várias esferas de governo. ‘‘Com um quórum de 448 (registrado às 16h30 de ontem) nós perdemos coisa muito menos importante’’, resumiu o vice-líder do governo, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP).

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