Com máquina nas mãos, PSDB quer dobrar prefeituras
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Luciana Cristo <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Presidente estadual do PSDB, o governador do Paraná Beto Richa (PSDB) estima que o partido pode, pelo menos, dobrar a quantidade atual de 40 prefeituras tucanas no Estado, nas eleições municipais de outubro. Embora reconheça que a participação corpo a corpo nos municípios do interior não deva ser tão intensa, por causa dos compromissos na administração, Beto deve ser um dos principais angariadores de voto para o partido.
Em entrevista à FOLHA, Beto também falou sobre a polêmica dos aviões e do aumento no número de cargos comissionados no seu mandato, além da mobilização dos policiais civis e militares, que podem entrar em greve. Em suas respostas, Beto não deixou de alfinetar seu antecessor, o hoje senador Roberto Requião (PMDB-PR), que constantemente faz críticas sobre a atual gestão. Veja os principais trechos da entrevista:
Tendo o senhor como principal figura do partido do Estado, o PSDB pode pensar em um bom crescimento nas eleições para prefeitos e vereadores deste ano?
Acredito que sim. O PSDB está bem organizado em todo o Estado. É natural que lideranças do interior tenham uma tendência em se aproximar do governo e o PMDB deu uma sorte danada porque isso sempre acontecia - e acho que até foi bom a lei segurar. Sempre os prefeitos migravam para o partido do governador, para estar mais próximos do poder e estabelecer com maior facilidade as parcerias administrativas. Com a proibição da troca de partidos sob pena de perda de mandato, os prefeitos ficaram. Então, com o último governador, o Requião, do PMDB, os prefeitos mudaram para o partido dele e ficaram presos. E o PSDB tem poucos prefeitos, então, até por isso, o crescimento é inevitável, embora tenhamos o compromisso de, em alguns municípios, apoiar candidatos de partidos aliados. Então a expectativa é muito grande. Acho que dá para dobrar.
E vai dar para conciliar o governo do Estado e a participação nas campanhas dos prefeitos?
Dá, sim. E disso não abro mão. Só vou participar de campanhas desde que não traga prejuízos aos meus afazeres, aos meus compromissos de governar o Estado. Isso já avisei a todos que me cobram. Posso gravar um depoimento, tirar uma fotografia, eventualmente ir a um município ou outro. Não vou ter tempo para circular todo o Estado.
Nacionalmente, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) tem defendido a realização de prévias pelo PSDB, para indicar o nome para concorrer à Presidência da República, em 2014. O que o senhor acha dessa proposta?
Eu acho que é uma boa proposta. Setores do PSDB defendem isso. O PSDB foi muito criticado nas eleições de 2006 quando a imprensa flagrou uma reunião, numa mesa de restaurante, quatro cardeais do partido indicando quem seria o candidato à Presidência. Então acho que é importante o maior número de pessoas participarem dessa decisão, termos prévias, convenções, até para que todos os segmentos do partido, a militância, os simpatizantes, os parlamentares se sintam responsáveis pela indicação. O partido está muito maduro, sabe o que quer e tem condições de fazer uma boa escolha.
O senador colocou inclusive o nome dele à disposição do partido para disputar a Presidência. O senhor o apoia?
É um direito de todos. Ele já participou uma vez, é um direito dele. Pode ser uma opção do partido.
E como está essa relação com o Alvaro, que continua afastado dos tucanos do Paraná?
É, ficou. Ele tem se dedicado mais aos compromissos dele em Brasília, como líder da oposição no Senado, tem se dedicado muito a isso. Acho que por isso ele não tem tido tempo para outros afazeres aqui no Estado, mas tem cumprido bem com seu papel em Brasília.
Outro senador paranaense, Roberto Requião (PMDB-PR) continua fazendo duras críticas a sua gestão...
Ele está irritado porque eu cortei a aposentadoria dele. Nós adotamos a Carta de Puebla, opção preferencial pelos pobres.
Como o senhor tem encarado essas críticas?
Dou risada. Se ele está me criticando é bom sinal, sinal de que estou no caminho certo e que o meu governo vai ser diferente do dele. Tem sido.
Desde o início do seu governo, uma das maiores polêmicas tem sido o fretamento ou a compra de aviões...
Não sei por que essa polêmica. Eu não sei qual é a dúvida até agora sobre isso, tem muitas informações desencontradas. Eu não estou comprando avião nenhum, pelo contrário, estou alugando. Aí a diretoria da Copel entendeu por bem comprar um avião e me pediu autorização. Eu entendi as razões perfeitamente, os argumentos são aceitáveis da Copel, para ter mais agilidade. A Copel, no governo anterior, todos sabem, foi sufocada. Hoje a Copel participa de leilões de energia, construção de hidrelétricas no Mato Grosso, parques eólicos no Nordeste e eu não vejo por que a Copel, que é uma empresa com R$ 6 bilhões em caixa, não pode comprar um avião de R$ 15 milhões ou R$ 16 milhões. É uma hipocrisia sem tamanho o que meus adversários políticos querem implantar na opinião pública. E, se eventualmente, o governo precisar usar o avião da Copel, qual é o problema? Então não sei qual é a polêmica. Falaram que eu ia comprar mais quatro aviões, não é verdade.
Não foi nem cogitada essa hipótese?
Nunca. Para servir o governo, servir meu gabinete, nunca cogitei. Não sei de onde saiu isso.
Essa informação foi confirmada oficialmente pelo governo...
De comprar mais aviões?
Que teria um estudo para possibilitar essa compra.
Alguns helicópteros, para cumprir meu compromisso de campanha, de implantar os resgates aéreos em cidades polo do Estado, para cobrir todas as regiões do Estado. Se você ligar a televisão, nos canais de cobertura nacional, você vê toda tarde os helicópteros em São Paulo salvando vidas na cidade, nas estradas, então é fundamental esse resgate aéreo. É um avanço, uma modernidade do Estado. O Estado que tinha antes não precisava de nada disso, era administrado com discurso. Tanto que os resultados negativos estão aí, em todas as áreas. Pior segurança do Brasil, menor efetivo de policiais, pior situação prisional, tudo informações oficiais, não sou eu que estou inventando esses números. Então as coisas mudaram.
Antes tinha um decreto governamental que só podia liberar o avião do Estado para buscar um órgão para transplante com a autorização do governador. Às vezes o governador estava viajando, não estava aqui, estava cavalgando... E aí? Isso é uma questão técnica, tem órgão vai buscar. Cancelei o decreto governamental que exigia autorização expressa do governador. Resultado: aumentamos em 70% o transporte de órgãos para transplante. Quantas vidas não foram salvas aí?
Também não há possibilidade de alugar mais aviões?
Se algum secretário meu ou alguma pessoa do governo falou, foi sem autorização minha. Nunca ouviu sequer um comentário, um estudo, um pensamento meu em relação à compra de aeronaves para servir o governador. Se alguém falou, comeu mamona. Nunca discuti isso com ninguém, nem por brincadeira.
No primeiro ano do seu mandato aumentou também o número de cargos comissionados. Por que a necessidade? São quantos comissionados do Estado?
Aproximadamente 4 mil cargos. O que interessa à sociedade é o quanto está custando isso, quanto o governo está investindo, se o governo está sendo bom, se está sendo responsável, austero na aplicação do recurso público. Eu tenho o Estado do tamanho suficiente para as transformações que eu quero fazer. As secretarias que nós temos, as agências que nós criamos, como a Agência de Defesa Agropecuária e a Agência de Desenvolvimento do Paraná. Isso precisa de uma estrutura para funcionar. Criamos a Secretaria do Esporte, permanente, que não tinha. Isso tudo precisa de pessoas.
O governo está negociando com os policiais civis e militares para que não haja uma greve das categorias. Durante esta semana o presidente da Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares (Amai), coronel Elizeu Furquim, cobrou a implantação da emenda 29 e disse que o senhor ''não pode ser um menino travesso'' com o que foi prometido em campanha. Como está essa relação com a categoria?
Promessa de tratá-los bem, com respeito e valorizar o trabalho deles, agora o que ele entende com isso... As negociações estão acontecendo. O coronel Furquim tem o temperamento um pouco forte, tem um histórico de ser muito radical nas cobranças, com outros governos inclusive. Os policiais sabem do meu compromisso em valorizar o trabalho deles, agora tem que se entender o seguinte: praticamente todas as categorias do funcionalismo querem aumentos, gratificações, benefícios, plano de cargos e salário. Eu pretendo valorizar todos os servidores, sei do papel fundamental deles para o bom andamento do governo. Mas o cobertor é curto. Eu não consigo atender todas as demandas de todas as categorias. Tenho procurado fazer um planejamento de ações, priorizar as categorias que estão mais defasadas e, especialmente em relação aos policiais, já disse a eles que vou valorizá-los sim, na medida do possível. O coronel Furquim foi meio açodado nessas críticas aí, desnecessárias.


