Com Jobim no poder, STF ganha perfil político
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quinta-feira, 19 de agosto de 2004
Agência Estado 
Brasília - A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de considerar constitucional a cobrança da contribuição previdenciária dos funcionários públicos aposentados e pensionistas a partir de R$ 2.508,72 mostrou que a mais alta Corte de Justiça do País adquiriu um perfil predominantemente político desde maio, quando o ministro Nelson Jobim assumiu a presidência do órgão. Na história recente, nenhum presidente do STF conseguiu comandar politicamente o tribunal como Jobim. Na terça-feira, ele cassou uma liminar do ministro Carlos Ayres Britto que impedia empresas estrangeiras de participar do sexto leilão de áreas petrolíferas.
Com mandato de presidente do STF até meados de 2006, ano de eleição geral, o presidente do Supremo é tido como potencial candidato ao governo do Rio Grande do Sul. O PMDB, partido pelo qual foi líder na Assembléia Constituinte, sonha em vê-lo concorrer à Presidência da República. Dos 11 ministros do STF, quatro foram nomeados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ex-integrante dos outros dois Poderes, o gaúcho Jobim tem habilidade de articulação como poucos. Durante a Constituinte, conseguiu que as forças de esquerda e de direita mantivessem o equilíbrio durante todos os trabalhos. No governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ocupou, de 1995 a 1997, o cargo de ministro da Justiça. Saiu porque FHC nomeou-o para o STF.
Jobim foi também decisivo para impedir que o hoje chefe da Casa Civil, José Dirceu, fosse investigado pelo Ministério Público (MP), logo depois do assassinato do prefeito de Santo André, no Grande ABC (SP), Celso Daniel, em janeiro de 2002. Parentes de Daniel disseram à polícia e ao MP que o dinheiro, supostamente, originado num caixinha de empresas de ônibus era destinado a Dirceu. Jobim considerou a acusação absurda.


