Com dívida de R$ 76,5 milhões, Daijó quer privatizar serviços
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sábado, 26 de abril de 1997
Antônio França Sucursal de Foz do Iguaçu 
Ney de Souza/Folha de LondrinaLiberalHarry Daijó: projeto de privatizar quase todo o sistema de saúdeHá 100 dias no cargo de prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó (PPB), deve demorar um pouco mais para colocar em prática alguns de seus projetos, como o Cingapura - cópia do programa de desfavelamento do ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, do seu partido.
Preocupado com uma dívida equivalente a mais da metade do que o município deve arrecadar nesse ano, Daijó já lançou projetos alternativos, como a utilização dos terrenos em volta dos linhões que conduzem energia elétrica de Itaipu para assentar sem-teto e privatização de alguns serviços até então prestados pela prefeitura.
Na avaliação de Daijó, os primeiros 100 dias de governo podem ser considerados bons, apesar da pressão exercida por credores da prefeitura. A dívida atinge a casa dos R$ 76,5 milhões, dos quais R$ 17,7 milhões são de médio e longo prazos e R$ 58,8 já vencidos e a curto prazo.
O desenvolvimento econômico da região vai trazer maior arrecadação e é essa a nossa estratégia para pagar dívidas. A exportação por Foz já aumentou cerca de 30% nesse ano e o movimento de cargas já ultrapassa mil por dia. No turismo, estamos desenvolvendo um plano de ação emergente, que visa atrair o que chamamos de turista regional, com a venda de pacotes para cidades vizinhas a Foz do Iguaçu, disse.
Para Daijó, o grande passo foi a ampliação da sua base política na Câmara. Eleito com cinco vereadores, ele viu sua base se estender para 14 logo no primeiro dia de mandato. Tudo isso lhe rendeu denúncias da oposição de que vereadores teriam trocado cargos na prefeitura por apoio. Nenhum vereador me pediu cargos nem nós oferecemos emprego em troca de apoio. Na verdade, o que houve foi uma proximidade maior entre Executivo e Legislativo, rebateu o prefeito.
Terceirização A exemplo do setor de obras, totalmente terceirizado, Daijó pretende ampliar o leque de serviços prestados pela iniciativa privada. A saúde - atualmente sucateada e com ameaça de descredenciamento da Santa Casa Monsenhor Guilherme do atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) - deve ser um dos primeiros setores a cair nas mãos de empresários.
É um caminho econômico em relação a sua eficiência. O terceirizado terá que cumprir o que o município deseja e a cobrança vai dar eficiência no resultado da administração, acredita. Na sáude, ele pensa em privatizar quase tudo, inclusive o serviço de enfermagem.
Segundo o prefeito, a experiência da privatização foi tirada principalmente de Campina do Monte Alegre, município paulista próximo a Sorocaba, onde todos os serviços municipais são prestados por cooperativas de trabalhadores. Mas é esse modelo que queremos. Primeiro, temos o respeito pelos servidores, que terão as funções de administradores, gerenciadores e fiscalizadores desse sistema, diz.
Desenvolvimento Para o prefeito, Foz do Iguaçu precisa diversificar o leque de atividades econômicas. Durante décadas, a cidade sobreviveu exclusivamente do turismo, setor que hoje enfrenta uma das piores crises dos últimos anos.
A média de ocupação dos hotéis da cidade, que somam 26 mil leitos, não ultrapassou 32% no ano passado, segundo o Sindicato dos Hotéis. A Zona de Exportação, outro setor econômico importante de Foz do Iguaçu, registra uma quebradeira sem precedentes por causa das facilitações do Mercosul.
Uma das alternativas, segundo o prefeito, é a industrialização. Daijó já tem contatos com duas empresas de alimentação (Arisco e Zaeli) e ainda uma multinacional que fabrica helicópteros. As três têm intenção de se instalar em Foz do Iguaçu.


